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CIMPOR quer substituir combustíveis fósseis por resíduos e pneus triturados na fábrica de Souselas
Projeto de coincineração industrial passou por consulta pública com parecer crítico da ZERO e posições divididas entre os cidadãos. Aguarda agora viabilidade ambiental da APA.
02 Set 2026 - 06:49
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Foto: Cimpor
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Foto: Cimpor
A CIMPOR quer alterar a forma como alimenta os fornos da sua fábrica de cimento em Souselas, Coimbra, substituindo parte dos combustíveis fósseis por combustíveis derivados de resíduos, pneus triturados e biomassa.
Na prática, resíduos que normalmente seguem para aterro poderão ser queimados nos fornos da cimenteira como fonte de energia.
O projeto, avaliado numa lógica de coincineração industrial, foi submetido recentemente a consulta pública, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), tendo recolhido nove participações, entre as quais um parecer crítico da associação ambientalista ZERO.
A associação reconhece potenciais benefícios ambientais no projeto, como a redução do envio de resíduos para aterro e a substituição de combustíveis fósseis. No entanto, considera que o Estudo de Impacte Ambiental apresenta “várias insuficiências” e não demonstra de forma suficiente os benefícios reais nas emissões atmosféricas e climáticas.
Entre as lacunas identificadas pela associação estão a falta de garantias de que os combustíveis derivados de resíduos não incluem materiais recicláveis, a ausência de esclarecimentos sobre a origem dos pneus e da biomassa a utilizar, e a falta de dados atualizados sobre emissões de compostos químicos. A ZERO critica ainda a inexistência de uma análise de ciclo de vida dos combustíveis e dos transportes associados ao processo.
Das oito participações de cidadãos, três manifestaram-se a favor do projeto, três contra, uma apresentou observações gerais e uma incluiu uma sugestão concreta.
Os participantes favoráveis destacam a contribuição do projeto para a descarbonização da indústria cimenteira, a manutenção do emprego e da atividade industrial, e o reforço da competitividade do setor.
Ainda assim, mesmo entre os apoiantes, foram levantadas preocupações relativas ao aumento do tráfego pesado, ao ruído noturno e à deposição de partículas em hortas e pequenas explorações agrícolas próximas da unidade.
Já os participantes contrários ao projeto apontam riscos para a qualidade do ar, associados ao aumento da coincineração e à utilização de pneus triturados, com possível emissão de partículas, metais pesados, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e dioxinas. Referem ainda potenciais impactes nos recursos hídricos subterrâneos, nos solos e na Ribeira do Botão, além de efeitos psicossociais associados à perceção de risco da atividade industrial.
O relatório de consulta pública será agora tido em conta na avaliação do processo pela APA, que decidirá sobre a viabilidade ambiental do projeto.
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