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Cimpor entra no negócio da energia com a Cimpor Energy e foco nas baterias

Grupo investe 10 milhões de euros em 2026 numa nova unidade de negócio com sistemas de armazenamento e software de otimização energética. Objetivo é atingir 50 milhões de euros de faturação em três anos.

23 Jun 2026 - 13:52

4 min leitura

Foto: Wikimedia

Foto: Wikimedia

A Cimpor lançou um negócio de energia, com soluções nas baterias e um sistema de gestão, prevendo investir 10 milhões de euros este ano e com a meta de atingir um volume de negócios de 50 milhões em três anos.

Segundo explicou Berkan Fidan, diretor técnico e membro do conselho de administração da Cimpor Global, numa apresentação aos jornalistas, nesta terça-feira, este negócio começou com a necessidade de reduzir o custo da energia que consome a principal área do grupo, a produção de cimento, experiência que foi positiva e será, por isso, expandida.

“Com essa experiência encontrámos falhas na sociedade e oportunidade para fornecer o serviço para outras indústrias semelhantes, como o papel”, bem como soluções comerciais ou residenciais, disse Sandro Conceição, diretor de Coprocessamento e Energia da Cimpor.

A nova empresa, apelidada de Cimpor Energy, tem em vista atingir, em três anos, 50 milhões de euros de volume de negócios anual e mais de 100 clientes por ano.

O grupo tem parques fotovoltaicos, tendo desenvolvido sistemas com baterias de LFP (fosfato de ferro-lítio), assegurando a operação com um sistema de gestão de energia que otimiza em tempo real a produção, o armazenamento e o consumo.

Neste sentido, nos últimos três anos já foram feitos investimentos de cerca de 20 milhões de euros, nomeadamente na instalação de parques fotovoltaicos e num sistema no qual se aproveita o calor residual do processo das fábricas para produzir energia elétrica.

Na área das baterias, está previsto o investimento este ano de aproximadamente 10 milhões de euros, para instalar 20 Megawatt-hora (MWh) em Souselas, 20 MWh em Alhandra e 5 MWh em Loulé.

Este novo negócio contempla também um sistema de gestão de energia, que é um ‘software’ inteligente que “utiliza a inteligência artificial e modelos preditivos” para analisar o que vai ser a previsão de produção de solar e com isso decidir a gestão, se vai descarregá-la ou armazená-la em que período, de acordo com os preços de energia do mercado diário, explicou Sandro Conceição.

A nova empresa do grupo apresenta-se como um “otimizador de processos energéticos”, com soluções para diferentes segmentos: aplicações residenciais, comerciais e industriais e infraestruturas críticas e projetos de grande escala (‘utility scale’).

Berkan Fidan esclareceu, no entanto, que o objetivo não é competir com produtores e fornecedores de energia, mas sim cooperar enquanto parceiros, sendo que a Cimpor Energy não vai vender energia, mas sim o serviço de gestão, bem como as baterias.

A Cimpor Energy quer levar este modelo ao nível residencial, onde se pode comprar o projeto ou fazer um contrato de longa duração.

Em cerca de 200 clientes que a empresa já começou a desenvolver no negócio da energia, muitos deles são residenciais, indicou o responsável, apontando que o objetivo é ser um ‘player’ no mercado, nomeadamente na gestão das baterias.

O modelo da empresa é oferecer aos clientes uma redução do custo da energia, através da instalação de baterias, que tanto pode assumir a forma de um contrato de longo prazo, por exemplo de cinco ou dez anos, ou apenas a compra das baterias.

A empresa está também interessada em participar em alguns dos leilões que serão lançados pelo Governo, nomeadamente o leilão que foi anunciado para 750 Megavolt-ampere (MVA) de baterias, cujo modelo será apresentado em 29 de junho e incluirá capacidade adicional de geração renovável já disponível no sistema elétrico.

O grupo destaca ainda que esta empresa não parte do zero, tendo já projetos a funcionar nas instalações da Cimpor, contando com uma capacidade de mais de 32 MWh instalados e operacionais e uma presença em 10 países e quatro continentes.

A Cimpor prevê que, até ao final do ano, quase 40% do consumo de energia seja produzido pela própria empresa, um aumento face aos 25% que já assegura atualmente.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

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