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Investigadores propõem rede europeia de observação da biodiversidade
Objetivo do Centro Europeu de Coordenação da Observação da Biodiversidade é criar um conjunto de regras integradas à escala europeia, para criar uma imagem comum da biodiversidade.
24 Fev 2026 - 11:11
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Foto: © wildlifewitholly _WWF-UK
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Um estudo publicado na Nature Reviews Biodiveristy propõe a criação do Centro Europeu de Coordenação da Observação da Biodiversidade, com vários proponentes portugueses, entre eles Pedro Beja, do BIOPOLIS-CIBIO, da Universidade do Porto.
Segundo explicou o investigador em entrevista à Lusa, estas recomendações surgem do projeto EuropaBON, financiado pela Comissão Europeia, para “desenhar uma Rede de Observação da Biodiversidade na Europa”.
“Não é só não haver informação, é mesmo a que existe estar colhida de diferentes formas, e sem abordar as mesmas áreas. O que este artigo propõe é, digamos, uma estratégia para o desenvolvimento de uma rede de observação da biodiversidade à escala europeia, em que tenta criar um conjunto de regras ambiciosas para permitir que, por um lado, aumente as observações que existem sobre biodiversidade, e depois que estas sejam integradas à escala europeia, para termos uma imagem comum”, afirmou.
Segundo Pedro Beja, não está só em causa que se tenha mais informação sobre biodiversidade em cada país, mas informação que se possa homogeneizar por toda a União Europeia, para facilitar a comparação, a tomada de decisões, e a criação de legislação comunitária mais eficaz.
O Centro Europeu de Coordenação da Observação da Biodiversidade (EBOCC, na sigla em inglês) faria, então, esse papel de polo agregador dos dados, como núcleo de uma estratégia europeia com “quatro pilares tecnológicos fundamentais”.
O uso de inteligência artificial para reconhecer espécies diferentes a partir de dados em massa, fotográficos ou sonoros, por exemplo, a instalação de gravadores acústicos (para aves) e câmaras (para vida selvagem), e o uso de satélites para mapear habitats a nível continental estão entre as propostas.
Por outro lado, o uso do ADN ambiental para “detetar comunidades biológicas a partir de amostras de água, solo ou ar” também está no estudo apresentado hoje, e publicado na Nature Reviews Biodiversity.
“A ideia é mesmo tentar coordenar o que se passa a nível europeu, no sentido de melhorar a integração do que se faz à escala europeia. (…) É importante que haja homogeneização entre os vários países, mas também é importante que cada um dos países o faça. Neste momento, em Portugal, a monitorização da biodiversidade é praticamente inexistente”, denunciou.
Essa lacuna portuguesa tem exceção, com “espécies pontuais”, mas o investigador reforça: “em Portugal, não existe uma estratégia de monitorização de biodiversidade”, o que espera que seja estimulado com este avanço europeu.
Entre as conclusões do trabalho estão 84 variáveis essenciais de biodiversidade, a base de uma harmonização sistémica nos mecanismos de monitorização, num trabalho que visa contribuir para uma mais eficaz conservação da Natureza numa fase em que “a biodiversidade está em declínio”.
“Há legislação europeia para proteger a biodiversidade. (…) O que acontece é que para medir o que se está a passar e poder responder adequadamente, quer para ter políticas adequadas quer para saber se as políticas estão a funcionar, quer à escala europeia quer dos Estados-membro, é preciso saber que espécies declinam, que espécies aumentam, se as intervenções a ser feitas estão ou não a ser bem-sucedidas”, resumiu.
Este estudo conta, além do BIOPOLIS-CIBIO, também com o Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e do Laboratório Associado Terra, em ambos os casos representados por César Capinha
Pelo programa BIOPOLIS, colaboraram Pedro Beja, Ana Ceia-Hasse, Joana Santana, Francisco Moreira e Henrique Miguel Pereira.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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