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Jorge Portugal: 30% das empresas portuguesas planeiam investir em transição energética
O diretor-geral da COTEC admite que é preciso muito financiamento para enfrentar o trilema que assume a transição energética.
17 Mar 2026 - 07:30
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Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC | Foto: Melissa Dores
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Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC | Foto: Melissa Dores
Segundo Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC e keynote speaker da conferência “Descarbonização e resiliência a riscos climáticos: Desafios da economia nacional”, apenas 25% das empresas nacionais fixaram já uma estratégia climática formal. Quase metade do universo não tem planos nessa matéria (45%) e cerca de 30% estudam investimentos nesse campo.
As razões apontadas para o bloqueio dessas intenções é o seu elevado custo inicial e a incerteza do retorno, mas também a dificuldade no acesso ao financiamento e a ausência de capacidade para implementar os projetos.
Apesar disso, o líder da COTEC Portugal afirmou acreditar que este será um dos principais ciclos de investimento. “A mudança do sistema energético é uma grande oportunidade de investimento. Conjuga várias dimensões que precisam de ser consideradas; a climática; a política, a financeira, a tecnológica e a económica. Não duvidemos, a energia está, mais do que nunca, no centro da competitividade industrial”. Uma outra condicionante se junta ao processo: “A trajetória política e regulatória vai moldar as decisões de investimento em energia”.
Jorge Portugal falou ainda do “trilema energético”, as três esferas em movimento que a transição energética precisa saber equilibrar: a competitividade, a energia limpa e a suja. ”Trata-se de reconstruir o sistema sem desequilibrar o trilema. E isso exige muito investimento e muita necessidade de financiamento”.
A realidade tem ensinado o caminho. “A transformação energética raramente acontece de um momento para o outro. Exige coexistência de fontes fósseis e renováveis, que se sobrepõem de forma a assegurar a estabilidade durante o processo.
Jorge Portugal destacou ainda o facto de a procura global de energia continuar a crescer significativamente, “existindo blocos que estão em industrialização acelerada na China e nos EUA”.
O especialista, que dirige a COTEC desde 2016, tirou ilações da situação vivida em Leiria, na sequência da tempestade Kristin, “Não foram apenas as infraestruturas a serem atingidas. Falharam a eletricidade, a energia, as comunicações, os serviços. E depois aconteceu o chamado tempo de resiliência, que foi de algumas semanas. A produção parou, a economia sofreu. Não pode ser visto como um problema local. Um fator climatérico pode perturbar uma cadeia de valor global”.
Patrícia Afonso Fonseca, administradora-executiva do Novobanco | Foto: Melissa Dores
A estratégia central do Novobanco parece alinhada com idênticos pressupostos. “A sustentabilidade deixou de ser um capítulo à parte. Ela influencia a forma como financiamos, como gerimos risco, como decidimos. Sabemos que os desafios colocados pela transição climática são complexos, exigem investimento, inovação e cooperação entre setores. E o setor financeiro tem aqui um papel crítico: orientar capital, antecipar riscos, apoiar modelos de negócio mais fortes e mais preparados”, afirmou Patrícia Afonso Fonseca, administradora-executiva do Novobanco.
Estas intervenções decorreram no Campus do Novobanco, durante o encontro organizado no âmbito da Semana da Sustentabilidade, iniciativa estratégica desenvolvida ao longo de quatro dias. No programa participaram mais de 400 colaboradores do banco e parceiros em áreas de responsabilidade social corporativa. “A Semana da Sustentabilidade é mais do que um conjunto de iniciativas. É o reflexo da ambição com que queremos contribuir para uma economia portuguesa mais sustentável, mais resiliente e mais preparada”, acrescentou a administradora-executiva.
Texto de Ana Sousa
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