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Lã de ovelha pode vir a substituir coberturas sintéticas usadas para preservar glaciares

A lã de ovelha é apontada como uma alternativa natural, renovável, biodegradável para as coberturas sintéticas que são usadas atualmente, com níveis de proteção dos glaciares comparáveis, mostra o projeto "Keep it Wool".

06 Set 2026 - 10:29

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Foto: Summit Foundation

Foto: Summit Foundation

Duas coberturas de lã estão a ser testadas no glaciar Tsanfleuron, no “Glacier 3000”, em Les Diablerets, na Suíça, para avaliar se seria possível substituir os geotêxteis sintéticos utilizados atualmente para abrandar o derretimento dos glaciares. O projeto, denominado “Keep It Wool”, está a ser desenvolvido desde junho deste ano pela Summit Foundation em colaboração com a Universidade de Lausanne.

As duas mantas de lã de ovelha foram instaladas numa área de 200 metros quadrados. Até setembro, os investigadores realizam medições de duas em duas semanas para avaliar a resistência do material às condições de alta montanha e as suas propriedades isolantes, comparando o desempenho da lã com o das coberturas geotêxteis convencional.

As observações iniciais, realizadas após um verão de testes, indicam que as coberturas de lã proporcionaram uma proteção comparável à dos geotêxteis sintéticos. Assim, as medições mostraram que a lã limitou o degelo tanto quanto a cobertura convencional, segundo a Reuters.

Segundo os cientistas, a utilização de geotêxteis fabricados em poliéster ou polipropileno pode levar à libertação de fibras devido ao vento, à precipitação e ao desgaste. À medida que estes materiais se degradam, podem libertar microplásticos que contaminam a neve, o gelo e as águas das montanhas e podem até chegar à cadeia alimentar.

Assim, lã de ovelha é apontada pelo projeto como uma alternativa natural, renovável, biodegradável e produzida localmente, além de ter propriedades isolantes. Entre 40% e 70% da lã suíça é estimada como destruída ou descartada todos os anos, uma vez que as ovelhas são criadas sobretudo para consumo da carne e do leite e para a manutenção de espaços verdes.

Glaciares suíços perderam cerca de 40% da sua massa nos últimos 20 anos

Nas últimas duas décadas, os glaciares suíços perderam quase 40% da sua massa e cerca de mil pequenos glaciares desapareceram completamente, de acordo com os autores do projeto. 

Há cerca de duas décadas que algumas zonas já são cobertas com geotêxteis durante o verão para limitar localmente o degelo. Ao refletirem parte da radiação solar e limitarem as trocas de calor, estas coberturas permitem preservar mais neve e gelo.

Atualmente, os geotêxteis cobrem cerca de 0,02% da superfície dos glaciares suíços e permitem preservar aproximadamente 300 mil metros cúbicos de neve por ano. No entanto, os cientistas recordam que este valor “é reduzido face aos quase mil milhões de metros cúbicos de gelo perdidos todos os anos”.

O calor recorde registado este verão fez com que a neve nos glaciares derretesse várias semanas mais cedo do que o habitual, levando a mais perda de gelo.

Ainda que este projeto possa contribuir para a preservação dos glaciares, os responsáveis pelo “Keep It Wool” sublinham que as mantas de lã “não constituem uma solução para o aquecimento global”. 

Assim, os cientistas defendem que a redução das emissões de gases com efeito de estufa, sobretudo provenientes dos combustíveis fósseis, continua a ser a única forma significativa de longo prazo para abrandar a perda de gelo.

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