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T&E defende eletrificação dos transportes para garantir soberania energética da UE
Segundo a T&E, atualmente, a UE está 93% dependente das importações de petróleo fóssil para os transportes. Para a organização, cada veículo elétrico em circulação nas estradas europeias reduz a procura de combustíveis importados.
04 Set 2026 - 19:01
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Foto: Freepik
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A organização europeia Transport & Environment (T&E) defende que a eletrificação dos transportes deve ser colocada no centro do Quadro das Energias Renováveis da União Europeia para o período pós-2030, de modo a aumentar a soberania e a segurança energética.
Em comunicado, a organização propõe que a UE exija aos Estados-Membros que a eletricidade renovável represente pelo menos metade da meta de energias renováveis nos transportes em 2040, como forma de reduzir a dependência de combustíveis importados.
Segundo a T&E, atualmente, a UE está 93% dependente das importações de petróleo fóssil para os transportes.
Para a organização, cada carro, carrinha ou camião elétrico em circulação nas estradas europeias reduz a procura de combustíveis importados, o que torna a eletrificação, “acima de tudo, uma política de segurança económica e energética”. Assim, defende que a combinação de maior eficiência energética com eletricidade renovável produzida internamente representa “o caminho mais direto para a soberania energética dos transportes europeus”.
Num contexto de crise energética na Europa, a T&E considera ter existido uma mudança de paradigma ao longo do último ano, visível em iniciativas como o AccelerateEU e o Plano de Ação para a Eletrificação.
Segundo a organização, a eletrificação direta é cada vez mais reconhecida como a via mais clara para reduzir a procura de energia, permitindo simultaneamente maior competitividade, segurança de abastecimento e preços mais baixos.
Assim, um eventual enfraquecimento das atuais normas de CO2 para automóveis atrasaria a eletrificação e aumentaria a procura de combustíveis, obrigando a um maior recurso a combustíveis fósseis, biocombustíveis, e combustíveis sintéticos.
Pelo contrário, uma adoção mais rápida de veículos elétricos, impulsionada por exemplo por normas de frotas empresariais ou programas de abate de veículos antigos, reduziria a procura global de combustível e a dependência de importações.
No entanto, a organização defende que uma meta global mais elevada de energia renovável nos transportes não garante, por si só, maior soberania energética. Sem medidas ambiciosas de eletrificação, essa meta poderia ser cumprida através de maior dependência de combustíveis escassos e importados, deixando a Europa exposta à volatilidade dos mercados energéticos globais.
A associação apresenta ainda várias recomendações para o próximo Quadro da União da Energia. Entre as propostas está o reforço do peso da eletricidade renovável nos transportes até 2040 e a redução da dependência do petróleo fóssil importado, que deverá passar de 93% em 2025 para menos de 75%.
A T&E defende também metas mais exigentes de redução das emissões de CO2 dos automóveis, apostando na eletrificação direta em detrimento dos biocombustíveis e dos combustíveis sintéticos.
Além disso, a organização quer ainda que o uso de eletricidade renovável seja incentivado em todos os meios de transporte, incluindo veículos elétricos, comboios, navios e aviação.
Entre as restantes propostas está a possibilidade de os operadores de postos de carregamento diretamente ligados a fontes de energia renovável poderem classificar a eletricidade utilizada como 100% renovável.
Por fim, a organização defende ainda limites à utilização de determinados biocombustíveis, alertando para os riscos associados ao aumento das importações, nomeadamente de fraude e dificuldades de rastreabilidade.
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