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Miguel Stilwell: “Portugal deve definir as condições para os data centers de forma clara e antecipada”
O CEO da EDP reconhece “importantes vantagens competitivas” para Portugal e para a Península Ibérica, mas considera que estas vantagens não devem significar a aceitação de todos os projetos de data centers ou uma redução das ambições.
04 Set 2026 - 15:34
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Miguel Stilwell d’Andrade, CEO da EDP, defende que o debate sobre os centros de dados em Portugal e na Península Ibérica não deve ser colocado entre “ter ou não ter” estas infraestruturas, mas sim sobre “em que condições” devem ser instaladas.
Numa publicação na sua página de Linkedin, o CEO afirma que os data centers são hoje essenciais para a Europa, principalmente num contexto em que está “muito, muito atrás” dos Estados Unidos e da China na produção de dados. “O mundo precisa de centros de dados. E a Europa precisa desesperadamente de centros de dados”, afirma o responsável.
Segundo Miguel Stilwell d’Andrade, sem capacidade de computação “não há inteligência artificial, infraestrutura de cloud ou muitos dos serviços digitais que sustentam a economia do futuro”.
O CEO da EDP compara ainda a atual dependência europeia da importação de energia com a dependência que poderá existir no futuro relativamente aos dados e à infraestrutura digital. “Temos visto nos últimos anos o que acontece quando a Europa depende da importação de energia e a vulnerabilidade estratégica que isso cria em tempos incertos e voláteis. Queremos repetir isto com os dados e a infraestrutura digital?”, questiona Miguel Stilwell d’Andrade, na publicação consultada pelo Jornal PT Green.
Para o responsável, Portugal e a Península Ibérica, apresentam “importantes vantagens competitivas” para atrair este tipo de investimento, entre as quais uma elevada penetração de energia renovável barata, conectividade internacional de fibra de alta capacidade, disponibilidade de terrenos e potencial para desenvolver capacidade adicional de produção e armazenamento.
No entanto, Miguel Stilwell d’Andrade considera que estas vantagens não devem significar a aceitação de todos os projetos ou uma redução das ambições.
Pelo contrário, defende que existe “uma margem considerável para garantir que os centros de dados criam mais valor”, através da criação de emprego qualificado e formação, receitas fiscais, oportunidades para empresas locais, investimento em infraestruturas, produção adicional de energia renovável e baterias e um ecossistema tecnológico mais forte.
O CEO da EDP destaca ainda o impacto dos centros de dados para além dos empregos tecnológicos especializados. Citando um artigo recente do Wall Street Journal sobre a oposição dos sindicatos, salienta que estas infraestruturas geram empregos e atividade nos setores da construção, engenharia, energia, manutenção, segurança e operações.
Neste sentido, defende que a discussão deve passar por definir “que padrões energéticos e ambientais” os centros de dados devem cumprir, que emprego, receitas fiscais e contratação local devem gerar e de que forma podem ser protegidos os recursos hídricos, as redes elétricas e as comunidades locais, garantindo simultaneamente que os preços permanecem acessíveis.
Miguel Stilwell d’Andrade considera ainda necessário proporcionar aos investidores “regras claras e previsíveis desde o início” e não alterá-las depois de os investimentos terem sido realizados.
“Portugal/Península Ibérica deve definir estas condições de forma clara e antecipada”, defende, na publicação. Para o responsável da EDP, é assim que o país conseguirá atrair investimento, moldar a qualidade do mesmo e maximizar o valor retido em Portugal.
“Não devemos rejeitar, por princípio, o investimento em tecnologia avançada do futuro”, conclui. “Devemos estabelecer as condições para que esta contribua com ambição, transparência e propósito estratégico.”
Relembre-se que, graças à nova regulação para data centers que Espanha está a preparar, que exige que os centros de dados demonstrem um consumo de energia renovável de 80% por hora, os investimentos já previstos para o país podem vir a ultrapassar a fronteira para Portugal.
Para os investidores, Portugal também é visto como um possível beneficiário, graças a fatores como o acesso à energia, preços competitivos, boas conexões de telecomunicações e excelente localização geográfica. Portugal dispõe ainda de condições regulatórias favoráveis, ao contrário de Espanha, caso o novo projeto-lei proposto pelo governo seja aprovado.
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