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Marrocos aposta na valorização energética de resíduos com megaprojeto de 1,3 mil ME
A primeira infraestrutura integrada do país vai transformar a gestão dos resíduos urbanos da Grande Casablanca. Vai servir mais de 4,2 milhões de habitantes e combinar tratamento de resíduos e recuperação energética.
08 Ago 2026 - 15:03
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Foto: Kanadevia Inova
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Foto: Kanadevia Inova
Marrocos vai avançar com um dos maiores projetos de valorização energética de resíduos em África, com um investimento estimado em cerca de 1,3 mil milhões de euros. A infraestrutura, que será construída em Casablanca, terá capacidade para tratar 1,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos por ano e produzir cerca de 1 TWh de eletricidade, contribuindo para reduzir a dependência da deposição em aterro e apoiar a transição energética do país. Vai ser localizado junto ao aterro de Médiouna, um dos locais com maiores emissões de metano em África.
Aquela que é a primeira infraestrutura integrada de valorização energética de resíduos de Marrocos resulta de uma parceria entre a empresa suíça Kanadevia Inova, a marroquina Nareva e a japonesa Itochu, que assinaram o contrato de concessão com o Município de Casablanca e os acordos de venda de eletricidade com a SRM Casablanca-Settat e a ONEE – Office National de l’Électricité et de l’Eau Potable, segundo informa a empresa suíça em comunicado.
O projeto será desenvolvido junto ao aterro de Médiouna, considerado um dos maiores locais de emissão de metano em África, e pretende alterar o modelo de gestão dos resíduos urbanos da Grande Casablanca, que abrange uma população superior a 4,2 milhões de pessoas.
Com uma concessão de 33,5 anos, a unidade terá capacidade para processar aproximadamente 1,5 milhões de toneladas de resíduos por ano, permitindo elevar a taxa de valorização dos resíduos para cerca de 80% e reduzir a dependência da deposição em aterro.
A central terá uma potência elétrica instalada de cerca de 126 MW, complementada por uma instalação solar fotovoltaica com 50 MWp e por um sistema de recuperação de biogás do aterro com 4 MW. No total, a infraestrutura deverá produzir energia suficiente para abastecer perto de um milhão de habitantes.
Procura por eletricidade cresce 3% ao ano
O projeto surge num contexto de aumento da procura elétrica a nível global, incluindo em Marrocos, que deverá crescer cerca de 3% ao ano até 2030.
Segundo a Kanadevia Inova, a mudança da deposição de resíduos em aterro para a valorização energética permitirá reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), nomeadamente através da diminuição das emissões de metano e da produção de eletricidade.
A empesa socorre-se também de estudos do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) e da Comissão Europeia, que indicam que o desvio de resíduos de aterro para unidades de valorização energética pode evitar entre 0,5 e 1 tonelada de CO₂ equivalente por cada tonelada de resíduos tratada, devido à redução das emissões de metano, à geração de energia e à recuperação de materiais.
Além dos ganhos ambientais, a infraestrutura deverá contribuir para a economia local, criando cerca de 140 empregos permanentes qualificados durante a fase de operação. Durante a construção, prevista para 3,5 anos, o projeto deverá envolver cerca de 1.240 trabalhadores, além de aproximadamente 300 postos de trabalho adicionais associados às infraestruturas complementares.
A infraestrutura será também preparada para uma futura integração de tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla inglesa), permitindo reduzir ainda mais as emissões de dióxido de carbono e acompanhar os objetivos de descarbonização de longo prazo do país.
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