4 min leitura
Marrocos aposta na valorização energética de resíduos com megaprojeto de 1,3 mil ME
A primeira infraestrutura integrada do país vai transformar a gestão dos resíduos urbanos da Grande Casablanca. Vai servir mais de 4,2 milhões de habitantes e combinar tratamento de resíduos e recuperação energética.
08 Ago 2026 - 15:03
4 min leitura
Foto Kanadevia Inova
- ZERO reconhece reformulação da central solar Sophia mas considera alterações insuficientes
- Organização Meteorológica Mundial alerta para El Niño “sem precendentes”
- UE aumentou importações e exportações de turbinas eólicas em 2025
- Orçamento da UE para 2027: Eurodeputados querem foco na energia, no clima e na agricultura
- Parlamento Europeu desbloqueia 261,5 ME para ajudar Portugal a recuperar das tempestades
- Ceuta sofre apagão de quase uma hora com origem em Cádiz
Foto Kanadevia Inova
Marrocos vai avançar com um dos maiores projetos de valorização energética de resíduos em África, com um investimento estimado em cerca de 1,3 mil milhões de euros. A infraestrutura, que será construída em Casablanca, terá capacidade para tratar 1,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos por ano e produzir cerca de 1 TWh de eletricidade, contribuindo para reduzir a dependência da deposição em aterro e apoiar a transição energética do país. Vai ser localizado junto ao aterro de Médiouna, um dos locais com maiores emissões de metano em África.
Aquela que é a primeira infraestrutura integrada de valorização energética de resíduos de Marrocos resulta de uma parceria entre a empresa suíça Kanadevia Inova, a marroquina Nareva e a japonesa Itochu, que assinaram o contrato de concessão com o Município de Casablanca e os acordos de venda de eletricidade com a SRM Casablanca-Settat e a ONEE – Office National de l’Électricité et de l’Eau Potable, segundo informa a empresa suíça em comunicado.
O projeto será desenvolvido junto ao aterro de Médiouna, considerado um dos maiores locais de emissão de metano em África, e pretende alterar o modelo de gestão dos resíduos urbanos da Grande Casablanca, que abrange uma população superior a 4,2 milhões de pessoas.
Com uma concessão de 33,5 anos, a unidade terá capacidade para processar aproximadamente 1,5 milhões de toneladas de resíduos por ano, permitindo elevar a taxa de valorização dos resíduos para cerca de 80% e reduzir a dependência da deposição em aterro.
A central terá uma potência elétrica instalada de cerca de 126 MW, complementada por uma instalação solar fotovoltaica com 50 MWp e por um sistema de recuperação de biogás do aterro com 4 MW. No total, a infraestrutura deverá produzir energia suficiente para abastecer perto de um milhão de habitantes.
Procura por eletricidade cresce 3% ao ano
O projeto surge num contexto de aumento da procura elétrica a nível global, incluindo em Marrocos, que deverá crescer cerca de 3% ao ano até 2030.
Segundo a Kanadevia Inova, a mudança da deposição de resíduos em aterro para a valorização energética permitirá reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), nomeadamente através da diminuição das emissões de metano e da produção de eletricidade.
A empesa socorre-se também de estudos do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) e da Comissão Europeia, que indicam que o desvio de resíduos de aterro para unidades de valorização energética pode evitar entre 0,5 e 1 tonelada de CO₂ equivalente por cada tonelada de resíduos tratada, devido à redução das emissões de metano, à geração de energia e à recuperação de materiais.
Além dos ganhos ambientais, a infraestrutura deverá contribuir para a economia local, criando cerca de 140 empregos permanentes qualificados durante a fase de operação. Durante a construção, prevista para 3,5 anos, o projeto deverá envolver cerca de 1.240 trabalhadores, além de aproximadamente 300 postos de trabalho adicionais associados às infraestruturas complementares.
A infraestrutura será também preparada para uma futura integração de tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla inglesa), permitindo reduzir ainda mais as emissões de dióxido de carbono e acompanhar os objetivos de descarbonização de longo prazo do país.
- ZERO reconhece reformulação da central solar Sophia mas considera alterações insuficientes
- Organização Meteorológica Mundial alerta para El Niño “sem precendentes”
- UE aumentou importações e exportações de turbinas eólicas em 2025
- Orçamento da UE para 2027: Eurodeputados querem foco na energia, no clima e na agricultura
- Parlamento Europeu desbloqueia 261,5 ME para ajudar Portugal a recuperar das tempestades
- Ceuta sofre apagão de quase uma hora com origem em Cádiz