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Europa tem os edifícios mais antigos do mundo e precisa de acelerar a sua reabilitação

Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia indica que a vulnerabilidade climática do parque edificado está a deslocar-se das regiões frias para as mais quentes e poderá afetar até três vezes mais pessoas até ao final do século.

08 Ago 2026 - 10:36

3 min leitura

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

A Europa concentra alguns dos edifícios mais antigos do mundo e terá de acelerar a reabilitação do seu parque edificado para responder ao aumento das temperaturas e reduzir as necessidades energéticas de aquecimento e arrefecimento. A conclusão é de um estudo do Centro Comum de Investigação (JRC, na sigla inglesa) da Comissão Europeia, que traça pela primeira vez um mapa global da vulnerabilidade climática dos edifícios.

Segundo a investigação, embora os edifícios europeus sejam, em geral, mais compactos do que noutras regiões do mundo, uma característica que melhora a eficiência energética, a elevada idade do parque edificado representa um desafio crescente.

Cerca de 43% dos edifícios existentes a nível mundial foram construídos antes de 1980, numa época em que as exigências de eficiência energética eram reduzidas ou inexistentes, sendo a Europa uma das regiões onde esta realidade é mais evidente.

O estudo conclui que a vulnerabilidade térmica na Europa está atualmente mais concentrada nas zonas rurais e de clima frio, onde predominam edifícios antigos, baixos e dispersos, que exigem mais energia para manter temperaturas interiores confortáveis.

Para reduzir essa vulnerabilidade, o JRC defende que os países europeus devem apostar na renovação do parque edificado existente, privilegiando medidas como a melhoria da ventilação natural, a substituição de janelas e o reforço do isolamento térmico.

Nas zonas rurais, os investigadores apontam ainda o isolamento e a produção de energia solar como prioridades para reduzir o consumo energético.

Imagem: JRC

Número de pessoas expostas poderá triplicar

Os cientistas desenvolveram um modelo que combina a idade e a forma dos edifícios com dados climáticos para identificar as zonas onde as necessidades energéticas para assegurar conforto térmico são mais elevadas. O levantamento abrangeu mais de dois mil milhões de edifícios em todo o mundo e estima que cerca de 48 milhões de pessoas vivem atualmente em áreas particularmente vulneráveis.

O estudo alerta, contudo, que esta vulnerabilidade deixará de estar concentrada sobretudo nas regiões frias. Até ao final do século, as alterações climáticas deverão deslocar o problema para as regiões mais quentes do planeta, fazendo com que o número de pessoas expostas possa aumentar para duas a três vezes o valor atual.

As maiores vulnerabilidades futuras deverão concentrar-se na África Subsariana, Sul da Ásia, América Latina e Médio Oriente, onde predominam edifícios menos compactos e de baixa altura. Além disso, muitos destes países dispõem de menos recursos para reabilitar os edifícios e apenas cerca de um quarto dos países de baixo rendimento possui requisitos mínimos de eficiência energética para novas construções e reabilitações, face a cerca de metade dos países de rendimento médio-alto e elevado.

 

 

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