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Mundial 2026 poderá emitir um quinto das emissões de CO2 anuais de Portugal
ZERO alerta que o Mundial deixará "uma pegada ambiental sem precedentes", ao emitir 9 milhões de toneladas de CO2, devido às deslocações de participantes e adeptos. A associação deixa ainda recomendações para o Mundial 2030, que passará por Portugal.
11 Jun 2026 - 12:05
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A associação ZERO alerta que o Campeonato do Mundo de Futebol 2026 poderá ser um dos eventos desportivos mais poluentes já realizados, ao emitir cerca de 8 e 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, um valor que se aproxima de um quinto do valor anual das emissões de Portugal.
Segundo explica num comunicado divulgado nesta quinta-feira, o Mundial 2026, que decorre nos Estados Unidos, Canadá e México, entre 11 de junho e 19 julho, deixará “pegada ambiental sem precedentes”. Esta será a maior edição de sempre do torneio, que contará com 48 seleções nacionais, num total de 104 jogos disputados em 16 cidades distribuídas pelos três países.
Ainda que os impactos ambientais relacionados à construção de novos estádios sejam “limitados quando comparados com outras edições”, a dimensão geográfica do torneio obriga a grandes deslocações. Já que, por exemplo, a distância entre Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, ultrapassa os 4500 quilómetros.
A dispersão dos jogos pelos três países significa que milhões de adeptos, jornalistas, equipas técnicas, patrocinadores, comitivas oficiais e elementos da organização terão de recorrer inevitavelmente ao transporte aéreo, responsável pela esmagadora maioria das emissões associadas ao evento. Neste sentido, estima-se que entre 85% e 90% da pegada carbónica do torneio resulte precisamente das deslocações dos participantes e espectadores, segundo comunicado.
É ainda de relembrar que, segundo previsões do New Weather Institute, as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao transporte aéreo poderão aumentar entre 160% e 325% face às edições anteriores do torneio. Caso a emissão de nove milhões de toneladas de CO₂ se venha a confirmar, o Mundial de 2026 deverá gerar o dobro da média registada nos campeonatos do mundo anteriores, mostra o relatório noticiado pelo Jornal PT Green.
Para a ZERO, o Mundial 2026 “evidencia uma contradição”, já que “num momento um momento em que governos, empresas e cidadãos são chamados a reduzir emissões, promover a eficiência energética e limitar os impactes ambientais das suas atividades, os maiores eventos globais continuam a crescer em dimensão, complexidade e intensidade carbónica”.
“A FIFA anunciou uma estratégia de sustentabilidade (…) mas existem fortes dúvidas sobre a eficácia destas medidas perante a escala do evento”, afirma a ZERO em comunicado.
A associação alerta ainda para os perigos relacionados com as alterações climáticas. Relembre-se que esta edição do torneio será marcada por temperaturas extremas, principalmente em cidades como Miami, Houston, Dallas, Monterrey ou Guadalajara, que poderão enfrentar condições meteorológicas particularmente exigentes para atletas e espectadores.
Isto levará a que uma parte significativa dos jogos possa ocorrer em condições de elevado stress térmico, o que levando ao aumento dos riscos para a saúde e à redução do desempenho físico dos atletas. Ao mesmo tempo, o calor extremo exige medidas adicionais de adaptação, como um maior consumo energético para climatização dos estádios, espaços interiores e infraestruturas de apoio.
A estas preocupações, a ZERO acrescenta ainda os impactos associados ao aumento do consumo de água, à produção de resíduos urbanos, à utilização intensiva de recursos e à pressão exercida sobre os sistemas de transporte e serviços urbanos das cidades anfitriãs.
“Em vez do futebol ser um exemplo e uma oportunidade para mobilizar todos os adeptos e a sociedade à escala mundial para combater as grandes crises como o uso excessivo de recursos ou as alterações climáticas, estamos a agravar estes problemas”, considera a associação.
A ZERO aproveita ainda para deixar recomendações para o Mundial 2030, que irá decorrer entre Portugal, Espanha e Marrocos. Os três países devem iniciar, desde já, uma preparação assente em critérios rigorosos de sustentabilidade, “privilegiando a mobilidade ferroviária e coletiva, a utilização de energia renovável, a gestão eficiente da água e dos resíduos e a definição de metas transparentes de redução de emissões”, de acordo com as indicações da associação.
“O sucesso do Mundial de 2030 não deverá medir-se apenas pela qualidade da organização ou pelos resultados desportivos, mas também pela sua capacidade de demonstrar que grandes eventos internacionais podem efetivamente minimizar os desafios ambientais, particularmente os climáticos, e da sustentabilidade em geral”, afirma a ZERO.
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