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Nova plataforma global vai avaliar evolução dos microplásticos nas zonas marinhas e costeiras
Projeto da Agência Internacional de Energia Atómica visa harmonizar protocolos de análise de dezenas de países e dotar cientistas de mais capacidade técnica. Todos os anos, perto de 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos entram nos ecossistema
26 Jul 2026 - 10:27
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Microplasticos
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) criou uma nova plataforma global para monitorizar a evolução dos microplásticos nos oceanos e zonas costeiras. A ferramenta, desenvolvida no âmbito da iniciativa NUTEC Plastics, pretende harmonizar e melhorar a comparação de dados entre países, reforçar a capacidade científica dos laboratórios e apoiar medidas de combate à poluição por plásticos.
Lançada nesta semana, a Plataforma Global de Monitorização Marinha de Plásticos NUTEC vai funcionar como um repositório online dos resultados obtidos pela rede de dezenas de laboratórios de monitorização marinha apoiados pela AIEA.
Segundo a AIEA, esta colaboração global permite identificar tendências na poluição por plásticos à escala mundial, ajudando cientistas e decisores a desenvolver estratégias de mitigação mais eficazes. “Mais de 400 especialistas técnicos foram formados para recolher, amostrar e analisar microplásticos marinhos utilizando metodologias harmonizadas. Mais de 80 países receberam equipamentos de amostragem e análise para reforçar a sua capacidade de determinar a presença de microplásticos em zonas costeiras e marinhas”, afirma Jing Zhang, diretora interina da Divisão para a Europa do Departamento de Cooperação Técnica da AIEA.
Microplásticos: desafio global
A poluição por plásticos é um desafio ambiental global. A agência recorda que todos os anos entre 19 e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos entram nos ecossistemas marinhos, que, ao longo do tempo, se degradam em microplásticos, tornando mais fácil a sua entrada na água, no solo e nos organismos vivos. E salienta que a monitorização eficaz dos microplásticos nos oceanos à escala global depende da capacidade de comparar dados entre diferentes países e regiões. “Esta rede ajudará a desenvolver o trabalho dos laboratórios existentes, reforçando a cooperação global e a troca de conhecimento sobre a poluição marinha por plásticos”, afirma Margaret Doane, diretora-geral adjunta da AIEA e responsável pelo Departamento de Gestão. Acrescentando que agência “está a ajudar os países a utilizar técnicas nucleares e isotópicas para compreender, monitorizar e, em última análise, combater a poluição por plásticos”.
A AIEA recorda que as diferenças entre protocolos de amostragem, metodologias analíticas e métodos de recolha de dados utilizados pelos laboratórios a nível mundial têm dificultado a obtenção de dados fiáveis e comparáveis sobre microplásticos marinhos. E defende que ao se uniformizar os métodos de análise poderão dotar os decisores políticos, cientistas e outros especialistas de dados fiáveis necessários para proteger o ambiente marinho e costeiro.
Recurso de capacidades nucleares na análise
A monitorização rigorosa dos microplásticos depende não só de protocolos normalizados, mas também do acesso a equipamentos para o processamento local das amostras. Neste sentido, a AIEA indica ter reforçado a capacidade dos laboratórios participantes com equipamento analítico avançado, incluindo sistemas de espectroscopia vibracional, utilizados para identificar a composição química das partículas de plástico, bem como kits de amostragem para recolha e análise de microplásticos marinhos.
A agência sublinha que, através da utilização de técnicas nucleares e moleculares, os países podem agora gerar e aceder a dados essenciais para desenvolver estratégias de mitigação baseadas em evidência científica.
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