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Investigadores propõem soluções para reduzir dependência europeia de matérias-primas críticas

Os investigadores da NOVA FCT desenvolveram um “índice de autossuficiência” para medir o grau de independência europeia. A investigação revela que os materiais de alto desempenho com base em elementos importados têm alternativas de origem europeia.

21 Jul 2026 - 15:53

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Investigadores NOVA FCT Adam Kelly e Ana Cristina Teixeira | Foto: João Lima

Investigadores NOVA FCT Adam Kelly e Ana Cristina Teixeira | Foto: João Lima

A Europa pode reduzir a dependência de matérias-primas críticas importadas sem comprometer o desempenho tecnológico, através de alternativas de origem europeia para materiais avançados utilizados em baterias, semicondutores e painéis fotovoltaicos, mostra um estudo conduzido por investigadores da NOVA FCT. 

A investigação, publicada nesta terça-feira na revista Nature Communications, propõe um novo método para reforçar a autonomia estratégica europeia num contexto de crescente instabilidade geopolítica.

O estudo indica que muitos destes materiais dependem de matérias-primas com cadeias de abastecimento vulneráveis, dominadas por uma única fonte, como elementos de terras raras da China, o cobalto da República Democrática do Congo ou o lítio do Chile. 

Num contexto de crescente instabilidade nas cadeias de abastecimento globais, marcado por tensões geopolíticas e guerras comerciais, os investigadores alertam que a Europa “precisa de garantir que as tecnologias de próxima geração, vitais para setores como a energia, saúde e indústria, sejam construídas com materiais aos quais tem acesso seguro”. 

Neste sentido, os investigadores desenvolveram um “índice de autossuficiência” (self-reliance index) para medir o grau de independência europeia, não apenas para elementos isolados, “mas para qualquer combinação de elementos e até para dispositivos completos”, de acordo com comunicado. 

Ao cruzar este índice com dados de desempenho de uma ampla gama de materiais avançados, incluindo condutores, semicondutores, dielétricos, elétrodos para baterias e camadas fotovoltaicas, os resultados revelam que os materiais de alto desempenho baseados em elementos importados têm, em quase todos os casos, alternativas de origem europeia com desempenho comparável.

Com base nesta descoberta, os investigadores propõem a criação da categoria “materiais avançados estratégicos”, definida como materiais que combinam elevado desempenho tecnológico com a utilização de matérias-primas disponíveis localmente. 

A necessidade de um acesso seguro aos nossos materiais avançados é clara. O nosso estudo fornece as ferramentas de decisão necessárias para que investigadores, indústria e decisores políticos baseiem as futuras tecnologias europeias em alicerces materiais seguros. O nosso objetivo é contribuir para fortalecer a resiliência das cadeias de abastecimento e promover a soberania tecnológica europeia”, afirma o investigador Adam Kelly, do CENIMAT|i3N da NOVA FCT. 

Para os investigadores, estas conclusões “serão fundamentais para a legislação europeia, como o futuro Advanced Materials Act, e para programas de financiamento como o Horizon Europe”. “Se anteriormente a seleção de materiais se centrava sobretudo no desempenho máximo, a sua identificação deverá agora integrar também critérios como a segurança do abastecimento, a soberania tecnológica e a resiliência económica”, explicam. 

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