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Níveis de emissões na Baixa de Lisboa são superiores às orientações da OMS
Fenómeno deve-se ao crescente tráfego rodoviário na cidade e à crise habitacional que leva as pessoas a viverem nas periferias e a necessitar de carro próprio, segundo um novo estudo da ZERO.
22 Set 2025 - 10:39
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Na Baixa de Lisboa, as emissões de dióxido de azoto (NO2) estão entre três a quatro vezes acima dos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas metas estabelecidas até 2030, segundo um novo relatório da associação ZERO. Os dados foram divulgados no Dia Europeu Sem Carros, 22 de setembro, e para fechar a Semana Europeia da Mobilidade.
A ZERO refere os últimos dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) para explicar que o fenómeno se deve ao crescente tráfego rodoviário na cidade. Outra causa apontada é a crise habitacional que afeta a capital e que leva as pessoas a viverem nas periferias, onde a rede de transportes públicos é mais limitada, o que incentiva ao recurso a carro próprio.
Em contrariedade à tendência em cidades como Paris ou Amesterdão, que têm reduzido os espaços para estacionamento, a Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) prevê implementar mais 9 mil lugares até 2027, segundo o comunicado pela associação. Acrescentam que “a expansão da oferta de estacionamento — tal como a eventual construção de um tabuleiro rodoviário na nova travessia ferroviária sobre o Tejo — contribuirá para o conhecido fenómeno de procura induzida, que irá atrair mais carros e agravar a situação do trânsito em Lisboa”.
A ZERO propõe a criação da primeira Zona de Zero Emissões na Baixa para proibir a circulação de veículos que não sejam 100% elétricos e a não residentes, bem como medidas para impedir a ocupação indevida de vias para transporte público. A recomendação vai ao encontro de uma petição junto da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal de Lisboa, lançada nesta segunda-feira pela Associação dos Moradores e Amigos de Santa Maria Maior, apoiada pela ZERO.
Os dados resultam de uma colaboração da associação com os moradores e a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior. “Para enfrentar o congestionamento, Lisboa precisa de priorizar a eficiência no transporte de pessoas, e não a eficiência de circulação de automóveis privados. Isso só é possível através de modos que maximizem a capacidade de transporte por metro quadrado — como o transporte público regular e flexível, em distâncias curtas, a bicicleta”, apela a ZERO.
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