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Noruega planeia extrair petróleo no Ártico apesar da posição da União Europeia
Em 2025, a produção de gás norueguesa esteve próxima de níveis recorde e a produção de petróleo atingiu o valor mais elevado desde 2009. O país pretende manter a produção e as exportações de petróleo e gás nos níveis atuais até 2035.
25 Ago 2026 - 15:46
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Foto: Pixabay
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A Noruega vai continuar a explorar petróleo e gás no Mar de Barents, apesar da posição da União Europeia contra novos projetos de hidrocarbonetos no Ártico. De acordo com declarações do ministro da Energia norueguês, Terje Aasland, à Reuters, o país já não se vê como “a bateria verde da UE”.
Desde 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Noruega tornou-se o maior fornecedor de gás natural da Europa, responsável por cobrir cerca de 30% da procura de gás tanto da União Europeia como do Reino Unido. Em 2025, a produção de gás norueguesa esteve próxima de níveis recorde e a produção de petróleo atingiu o valor mais elevado desde 2009.
As previsões oficiais apontam, contudo, para uma quebra significativa da produção depois de 2030, caso não sejam descobertos e desenvolvidos novos recursos. Para o ministro Terje Aasland, a exploração do Mar de Barents continua a “servir os interesses” da Noruega e da Europa, tendo em conta o atual contexto geopolítico e de segurança energética, revelou à Reuters.
Atualmente, a União Europeia apoia a proibição de novas perfurações no Ártico por motivos ambientais, no entanto, tem vindo a ponderar rever esta política em resposta às preocupações com a segurança energética.
Relembre-se que, em julho, Fatih Birol, presidente da Agência Internacional de Energia, apelou à União Europeia que reavaliasse a sua oposição à realização de novas explorações de petróleo e gás no Ártico, numa altura em que a “Europa procura garantir o futuro do seu abastecimento energético”.
No entanto, a Noruega pretende manter a produção e as exportações de petróleo e gás aproximadamente nos níveis atuais até, pelo menos, 2035, sendo o Mar de Barents uma região considerada fundamental para esse objetivo.
“Se a Noruega pretende continuar a ser um fornecedor de petróleo e gás a longo prazo para a Europa, então o Ártico tem de fazer parte dessa discussão”, afirma Aasland, segundo a Reuters.
Nas negociações com responsáveis europeus, o Governo norueguês tem defendido que as zonas do Mar de Barents abertas à exploração petrolífera são livres de gelo, à semelhança de partes do Mar do Norte, e, por isso, menos suscetíveis a derrames de petróleo e outros impactos ambientais. A Noruega argumenta , simultaneamente, que a atividade ajuda a manter empregos e comunidades nas regiões do norte do país, junto à fronteira com a Rússia.
Assim, o ministro do ambiente norueguês considera que estes argumentos estão a ser ouvidos em Bruxelas, mas sublinha que a Noruega mantém o direito soberano de desenvolver os recursos do Mar de Barents, mesmo que a União Europeia continue a apoiar uma moratória.
“Desenvolveríamos estas áreas e caberia depois à UE decidir se quer aplicar uma moratória à compra desse gás ou petróleo”, afirmou o ministro à Reuters.
Segundo Aasland, o petróleo produzido no Ártico poderá ser vendido nos mercados internacionais, enquanto o gás poderá ser exportado sob a forma de gás natural liquefeito (GNL) a partir da unidade da Equinor em Melkøya, perto de Hammerfest.
Noruega já não quer ser “bateria verde da UE”
Atualmente, a Noruega produz, na maioria dos anos, energia renovável excedente através da sua rede hidroelétrica, que acaba por ser exportada para outros países europeus através de interligações elétricas.
O país apresentou-se durante vários anos como a “bateria verde” da Europa, mas o ministro considera agora que esse conceito está ultrapassado. “Era uma ideia errada”, afirmou o ministro à Reuters, argumentando que a Noruega, por si só, não consegue equilibrar o mercado elétrico europeu.
Segundo a Reuters, o país não pretende construir novas interligações elétricas, embora mantenha o compromisso com uma forte cooperação com a Europa no setor energético.
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