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Investidores noruegueses pressionam CE para proibição da exploração de gás e petróleo no Ártico
Investidores afirmam que novos desenvolvimentos de combustíveis fósseis no Ártico demorariam mais de uma década a começar a funcionar e, por isso, são ineficazes para responder à crise atual. UE diz estar a analisar situação, ainda sem conclusões.
27 Mai 2026 - 12:05
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Instituições financeiras e investidores noruegueses enviaram, nesta quarta-feira, uma carta à Comissão Europeia (CE) a apelar para que mantenha a sua oposição relativamente a novas perfurações de petróleo e gás no Ártico.
A carta, organizada pelo Nordic Center for Sustainable Finance e pelo fundo de pensões dinamarquês Sampension, evidência a preocupação dos investidores de que a crise energética desencadeada pela guerra entre os EUA, Israel e o Irão possa vir a ser utilizada para justificar um recuo nos compromissos climáticos, à medida que a UE se concentra em garantir o abastecimento e a segurança energética.
A Nordea Asset Management, parte do banco nórdico Nordea, e a KLP, a maior companhia de pensões da Noruega, estão entre os 127 signatários que aconselharam a CE a não enfraquecer a sua posição, deixando o alerta de que ceder à exploração do Ártico comprometeria tanto os objetivos climáticos, como a segurança energética de longo prazo.
Entre os 13 motivos apresentados nesta carta, os investidores afirmam que novos desenvolvimentos de combustíveis fósseis no Ártico demorariam mais de uma década a entrar em funcionamento, tornando-os ineficazes para responder à crise atual.
Além disso, é ainda feita referência ao risco que as perfurações teriam para a vida animal, especialmente numa zona que já está sob grande pressão devido às alterações climáticas: “O Ártico é um dos ecossistemas mais vulneráveis do planeta e habitat de fauna única. Uma maior expansão do petróleo e do gás aumentaria a pressão sobre estes ecossistemas de importância global, elevando o risco de derrames e fugas de petróleo”, lê-se nas recomendações.
A carta deixa também a indicação que simulações de derrames já efetuadas indicam que mais de 90% do petróleo derramado em determinados campos do Mar de Barents não podia ser recuperado mais tarde.
A guerra no Irão perturbou os mercados energéticos globais e fez disparar os preços do gás na Europa. Desde então, a Noruega, a maior fornecedora de gás da Europa, tem pressionado Bruxelas a abandonar a moratória, mesmo não sendo membro da UE.
No seguimento desta envio da carta, um porta-voz da Comissão afirmou à Reuters que a UE está a rever a sua política para o Ártico “à luz do novo contexto geopolítico e geoeconómico”, mas que ainda não foram alcançadas conclusões.
Atualmente a política atual da UE apoia uma proibição de novos desenvolvimentos de petróleo e gás no Ártico e rejeita a compra desses hidrocarbonetos. Contudo, não existe qualquer moratória formal em vigor.
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