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Países em desenvolvimento precisam de 12 vezes mais financiamento para se adaptarem às alterações climáticas

ONU lança relatório, antes da COP30, para frisar que são necessários mais de 310 mil milhões de dólares anuais até 2035 para ajudar estes países. Análise aponta "enorme lacuna de financiamento”, que ameaça vidas, economias e meios de subsistência.

31 Out 2025 - 17:04

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Foto: Freepik

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O mundo está a falhar na preparação para os impactos das alterações climáticas. A conclusão é do novo Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2025 (Adaptation GAP Report) divulgado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que revela que os países em desenvolvimento precisam de mais de 310 mil milhões de dólares por ano até 2035 para se adaptar, um valor 12 vezes superior ao financiamento atualmente disponível.

O documento, lançado antes da COP30, que se realizará em Belém, no Brasil, alerta para uma “enorme lacuna de financiamento” que ameaça vidas, economias e meios de subsistência em todo o planeta. Em 2023, o financiamento público internacional para adaptação caiu para 26 mil milhões de dólares, abaixo dos 28 mil milhões registados em 2022.

“Os impactos climáticos estão a acelerar. No entanto, o financiamento para adaptação não está a acompanhar esse ritmo, deixando os mais vulneráveis do mundo expostos ao aumento do nível do mar, tempestades mortais e calor escaldante”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao apelar a uma resposta urgente. Adicionou que “a adaptação não é um custo – é uma tábua de salvação. Fechar a lacuna de adaptação é como protegemos vidas, promovemos a justiça climática e construímos um mundo mais seguro e sustentável”.

Segundo a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen, a falta de investimento poderá ter consequências devastadoras. “À medida que as ações para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa continuam a ficar para trás, estes impactos só vão piorar, prejudicando mais pessoas e causando danos económicos significativos”, sublinhou.

O relatório destaca avanços no planeamento: 172 países já têm políticas ou planos nacionais de adaptação, embora 36 estejam desatualizados. Foram identificadas mais de 1.600 ações de adaptação em curso, sobretudo nos setores da biodiversidade, agricultura, água e infraestruturas. Contudo, poucos países avaliam a eficácia real destas medidas.

Apesar de um aumento pontual no apoio internacional, com 920 milhões de dólares aprovados em novos projetos em 2024, o PNUMA avisa que o ritmo é insuficiente. O objetivo estabelecido no Pacto Climático de Glasgow, de duplicar o financiamento para adaptação até 2025, dificilmente será alcançado, conclui.

A nova meta acordada na COP29 prevê 300 mil milhões de dólares anuais para ações climáticas nos países em desenvolvimento até 2035, mas o montante cobre tanto mitigação como adaptação. Com a inflação e a partilha dos fundos, o défice poderá chegar a 520 mil milhões de dólares por ano.

Financiar sem criar endividamento

O Roteiro de Baku a Belém, apresentado pelo PNUMA, propõe mobilizar 1,3 biliões de dólares até 2035 para reforçar a adaptação climática nos países em desenvolvimento. O plano, no entanto, alerta para a necessidade de evitar que o financiamento aumente o endividamento das nações mais vulneráveis.

Segundo o relatório, os fundos devem privilegiar subsídios e instrumentos financeiros concessionais, que não criem nova dívida, de modo a permitir que os países invistam de forma sustentável na sua resiliência climática.

Para que o roteiro seja eficaz, a comunidade internacional precisa de reduzir o défice de financiamento, evitar investimentos inadequados (“má adaptação”) e envolver novos atores financeiros – públicos e privados – na integração da resiliência climática nas decisões económicas.

O setor privado é visto como parte da solução. O PNUMA estima que o investimento privado em adaptação pode chegar a 50 mil milhões de dólares por ano, dez vezes mais do que os atuais 5 mil milhões. Mas, para isso, serão necessárias políticas direcionadas e modelos de financiamento misto, em que o capital público ajude a reduzir riscos e atraia investimento privado.

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