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Portugal é dos mais vulneráveis às alterações climáticas no sul da Europa
O estado geral do ambiente na Europa não é positivo, segundo a Agência Europeia do Ambiente. Novo relatório frisa desafios em relação à gestão de resíduos e economia circular em Portugal.
30 Set 2025 - 11:45
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Portugal é um dos países do sul da Europa mais vulneráveis às alterações climáticas, com secas prolongadas, incêndios, erosão costeira e cheias repentinas, refletindo crescentes perdas económicas. As conclusões são do mais recente relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA), que aponta ainda os desafios em matéria de economia circular e de gestão de resíduos no país.
No panorama continental, averigua que o estado geral do ambiente na Europa não é positivo, sobretudo devido à aceleração das alterações climáticas e à degradação constante da natureza, sobre-exploração e perda de biodiversidade.
A AEA reconhece os desenvolvimentos na redução das emissões e da poluição atmosférica, mas avisa que grande parte das tendências ambientais preocupam e significam altos riscos para prosperidade económica, segurança e qualidade de vida europeias. O relatório sublinha a necessidade de restaurar habitats naturais, descarbonizar setores fulcrais, em especial os transportes, e reduzir as emissões geradas pela agricultura.
Através de energias renováveis, Portugal conseguiu acompanhar a redução europeia de emissões. Por sua vez, o relatório destacou uma melhoria da qualidade do ar no país, o aumento significativo da área afeta a agricultura biológica e os investimentos contínuos nos transportes públicos. Os últimos têm sido desafios persistentes a nível nacional, alertava a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, numa reunião com os homólogos europeus, a 18 de setembro.
ZERO propõe medidas para Portugal
A associação ZERO já analisou o relatório e destaca que é preciso dar prioridade ao isolamento das habitações contra o calor e a instalação de equipamentos de refrigeração e incluir a redução do IVA das bombas de calor/ar condicionado aos apoios do Programa E-Lar, que começam hoje e terminam a 30 de junho de 2026.
Além disso, a organização ambientalista diz em comunicado que é necessário “apostar de forma séria em modelos de alta-eficiência em termos de recolha seletiva e separação para reciclagem, criar incentivos à circularidade e promover a reintegração de materiais reciclados na economia”.
A associação reitera que “preocupante é ainda o facto de Portugal manter apoios aos combustíveis fósseis (ainda que em trajetória descendente) acima da média da UE”. Dão o exemplo recente do preço da eletricidade em Portugal no setor doméstico que é “mais do dobro do gás natural fóssil”.
As propostas da AEA para a Europa
O relatório “Ambiente da Europa 2025” indica que, para conseguir a neutralidade climática até 2050, é precisa uma gestão dos solos, da água e de outros recursos mais responsável e competente, uma vez que a competitividade na Europa depende também disso. A defesa de recursos naturais e a adaptação às alterações do clima vai fortalecer a resiliência de funções que são essenciais para as sociedades, como a água potável, a segurança ambiental e a prevenção contra inundações, assegura a AEA.
Nos ecossistemas terrestres, marinhos e de água doce europeus a biodiversidade está em declínio e a associação prevê que, se assim continuar, seja improvável cumprir as metas estabelecidas até 2030. A Europa é também o continente que regista o aquecimento mais rápido do clima, o que reforça a urgência de remodelar as economias e a sociedade, garantindo que “ninguém é deixado para trás”, frisa o comunicado.
A diretora executiva da AEA, Leena Ylä-Mononen, constatou que o relatório, desenvolvido com 38 países, “apresenta de forma clara o conhecimento científico e demonstra os motivos pelos quais precisamos de agir”.
O parecer apela, fundamentalmente, a que se intensifique a implementação de políticas e ações sustentáveis de longo prazo, já acordadas para o Pacto Ecológico Europeu, alinhando-se com a inovação, descarbonização e segurança, prioridades da Bússola de Competitividade da Comissão Europeia.
“Sendo o continente que regista o aquecimento mais rápido, a Europa tem testemunhado em primeira mão o impacto devastador das alterações climáticas – mais recentemente, através dos graves incêndios florestais que marcaram o verão”, referiu o comissário para o Clima, Neutralidade Carbónica e Crescimento Limpo, Wopke Hoekstra.
A vice-presidente Executiva para a Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, declarou, por sua vez, que “atrasar ou adiar as nossas metas climáticas apenas aumentaria os custos, agravaria as desigualdades e enfraqueceria a nossa resiliência. Proteger a natureza não é um custo. É um investimento na competitividade, na resiliência e no bem-estar dos cidadãos”.
“Uma natureza saudável é a base de uma sociedade saudável, de uma economia competitiva e de um mundo resiliente, razão pela qual a UE está empenhada em manter o rumo dos seus compromissos ambientais”, adicionou a comissária do Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall.
A AEA divulga este tipo de análise de cinco em cinco anos, sendo este o sétimo, desde 1995. Foi organizado em colaboração com Rede Europeia de Informação e Observação do Ambiente (Eionet) da associação.
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