5 min leitura
Portugal e Espanha nas prioridades de investimento da Repsol até 2028
O novo plano de investimento, que poderá atingir até 10 mil milhões de euros, destina 55% a Espanha e Portugal e 34% aos Estados Unidos. Do total, 30% será dedicado a projetos de baixo carbono.
10 Mar 2026 - 09:53
5 min leitura
Foto: Repsol/flickr
- Camiões elétricos podem ser até 2,5 vezes mais baratos do que os a gasóleo
- Bancos centrais africanos na linha da frente do impacto das alterações climáticas na economia
- RASI: Área ardida por incêndios rurais quase duplica em 2025
- A economia azul em Portugal não precisa de mais estratégia. Precisa de começar a escalar
- Governo anuncia linha de 600 ME para empresas com custos de energia acima de 20%
- Interdição do aterro de Vila Real “agrava a pressão” sobre sistema de resíduos
Foto: Repsol/flickr
A Repsol atualizou as suas métricas operacionais e financeiras para o período 2026–2028, dando prioridade ao investimento em Portugal e Espanha e nos Estados Unidos, apesar da volatilidade desencadeada pelo conflito no Médio Oriente.
O plano de investimento situa-se entre 8,5 e 10 mil milhões de euros, com 55% destinado a Espanha e Portugal e 34% aos Estados Unidos. Do total, 30% será dedicado a projetos de baixo carbono, explica numa comunicação divulgada nesta terça-feira.
O retorno esperado para os acionistas será entre 30% e 40% do fluxo de caixa das operações ao longo do período, incluindo dividendos e recompras de ações. A Repsol distribuirá 3,6 mil milhões de euros em dividendos em dinheiro até 2028.
A empresa prevê que o fluxo de caixa operacional atinja 6,5 mil milhões de euros até 2028, cerca de 20% mais do que em 2025, e mantém as suas prioridades estratégicas assentes na solidez financeira, disciplina na alocação de capital e reforço da remuneração aos acionistas.
“A Repsol tem a estratégia certa para impulsionar o crescimento contínuo, mesmo num ambiente volátil, apoiada num modelo integrado, numa combinação equilibrada de negócios convencionais e de baixas emissões, e num portefólio diversificado de ativos. A nossa evolução para nos consolidarmos como empresa multienergética é um elemento diferenciador que nos permitirá continuar a criar valor e estar bem preparados para o futuro”, refere Josu Jon Imaz, CEO da Repsol.
No âmbito da descarbonização, a Repsol alcançou o objetivo definido para 2025, com uma redução de 15% no Indicador de Intensidade de Carbono face a 2016, resultado de uma estratégia centrada na eficiência, competitividade e integração dos seus negócios, segundo explica. Indica ainda que mantém a ambição de atingir emissões líquidas zero a longo prazo e definiu novas metas: reduzir o indicador em 25% até 2030, atingir 55% em 2040 e 100% em 2050.
Na área de geração de baixo carbono, a Repsol pretende continuar a expandir o seu portefólio de energias renováveis, sobretudo solar e eólica. Desde que entrou neste negócio em 2018, a companhia já atingiu 6.000 MW de capacidade renovável em operação. Entre 2026 e 2028, o objetivo é alcançar até 9.000 MW, com investimentos entre 500 milhões e mil milhões de euros, sobretudo em Espanha e nos Estados Unidos.
A Repsol pretende ainda aumentar a produção de combustíveis renováveis para 1,5 milhões de toneladas por ano até 2028. Entre os projetos em curso destaca-se a nova unidade de Puertollano, que deverá entrar em funcionamento no segundo trimestre de 2026. Com estes projetos, a empresa afirma-se como principal produtora de diesel renovável e combustível sustentável para aviação em Espanha e Portugal e uma das líderes na Europa, segundo explica no comunicado.
Paralelamente, estão também em desenvolvimento outros projetos, como a planta de combustíveis sintéticos em Bilbao, prevista para entrar em operação em 2027, e a Ecoplanta em Tarragona, um investimento superior a 800 milhões de euros que transformará resíduos urbanos em 240 mil toneladas anuais de metanol renovável e circular. No domínio do hidrogénio, a empresa pretende alcançar até 300 MW de produção equivalente até 2028, com projetos de eletrólise já aprovados em Cartagena e Bilbao e um terceiro previsto para Tarragona.
Reforço no upstream
A Repsol prevê reforçar o crescimento do negócio de exploração e produção (upstream) entre 2026 e 2028, apostando sobretudo nos Estados Unidos. A empresa planeia investir entre 2,6 e 3 mil milhões de euros nesta área, dos quais cerca de 80% serão destinados ao mercado norte-americano, onde estão localizados alguns dos principais projetos de expansão, nomeadamente no Alasca e em ativos não convencionais.
A empresa mantém ainda projetos relevantes no Reino Unido e no Brasil, que deverão contribuir para elevar a produção líquida total para 580 mil a 600 mil barris equivalentes por dia em 2028, entre 6% e 10% acima de 2025.
A estratégia inclui também melhorar a rentabilidade dos ativos e reduzir a intensidade carbónica da produção, com o objetivo de baixar as emissões para cerca de 10 kg de CO₂ por barril.
Mais clientes em Portugal e Espanha
Na área de clientes, a empresa pretende reforçar a sua liderança em Espanha e Portugal, onde conta com mais de 24 milhões de clientes. Entre 2026 e 2028, prevê investimentos entre 1,4 e 1,6 mil milhões de euros para consolidar os negócios na mobilidade, lubrificantes, aviação e GPL e acelerar o crescimento de novas áreas como eletricidade e gás, mobilidade elétrica e geração distribuída.
A estratégia inclui também a evolução do modelo das mais de 3.800 estações de serviço na Península Ibérica, ampliando a oferta energética para a mobilidade, que inclui combustíveis convencionais, autogás, carregamento elétrico e combustíveis renováveis. A empresa quer ainda expandir o negócio de eletricidade e gás para mais de 4 milhões de clientes até 2028.
- Camiões elétricos podem ser até 2,5 vezes mais baratos do que os a gasóleo
- Bancos centrais africanos na linha da frente do impacto das alterações climáticas na economia
- RASI: Área ardida por incêndios rurais quase duplica em 2025
- A economia azul em Portugal não precisa de mais estratégia. Precisa de começar a escalar
- Governo anuncia linha de 600 ME para empresas com custos de energia acima de 20%
- Interdição do aterro de Vila Real “agrava a pressão” sobre sistema de resíduos