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Portugal mantém dependência energética externa de 67% apesar de avanços nas renováveis

Relatório do Estado do Ambiente da APA revela progressos na qualidade do ar e água, mas expõe fragilidades na economia circular e na gestão de resíduos urbanos.

19 Dez 2025 - 18:37

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Foto: Freepik

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A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) divulgou, nesta sexta-feira, o Relatório do Estado do Ambiente 2025, um retrato da transição ambiental no país. Os dados mostram que Portugal continua a depender do exterior para dois terços da energia consumida a nível nacional, deposita ainda maioria dos resíduos urbanos em aterro e continua longe das metas europeias de circularidade económica.

No que toca a energia, a dependência externa manteve-se nos 66,7% em 2023, apesar de uma ligeira melhoria face ao ano anterior. O saldo importador diminuiu 8,8%, mas o país continua a apresentar uma intensidade energética superior à média europeia. As fontes renováveis representaram 35,2% do consumo final bruto da energia e 63% da produção elétrica, números que colocam Portugal entre os líderes europeus neste domínio.

A economia circular permanece um desafio incontornável. Portugal consumiu 15,9 toneladas de materiais por habitante em 2023, acima da média de 13,9 toneladas da União Europeia. Além disso, apresenta uma taxa de utilização circular de apenas 2,8%, muito distante dos 11,8% registados no bloco. A produção de resíduos urbanos atingiu 5,06 milhões de toneladas em 2023, com 59% ainda depositados em aterro, um indicador que expõe a fragilidade do sistema de tratamento e valorização.

Há progressos inegáveis na qualidade ambiental. A qualidade do ar melhorou com um acréscimo de 3,9% dos dias classificados como “muito bom” ou “bom”, e as emissões de gases com efeito de estufa cairam 38,1% face a 2005 e 9,6% face a 1990. A água segura para consumo humano atingiu os 98,77%, superando a meta nacional. Mas persistem excedências nos níveis de dióxido de azoto nas áreas metropolitanas de Lisboa e Entre Douro e Minho.

O relatório documenta ainda a erosão costeira: metade do litoral baixo e arenoso está em regressão, com uma perda acumulada de 13,8 km2 entre 1958 e 2023 e regista que 2024 foi o quarto ano mais quente desde 1931, com oito ondas de calor.

O parque elétrico, em 2023, dividiu-se essencialmente entre veículos ligeiros de passageiros movidos a gasóleo (63%) ou a gasolina (31,1%). Nos pesados de passageiros o gasóleo cobriu 91,3% dos veículos. Até esse ano, ficaram registados quase 130 mil veículos elétricos, sendo 90,4% ligeiros de passageiros e de mercadorias. Este valor representa um acréscimo de 61,1% face a 2022, ano em que a Rede de Mobilidade Elétrica alcançou a cobertura total do território nacional.

A agricultura biológica ocupa já 22,3% da superfície agrícola, um crescimento de quatro vezes em cinco anos, que coloca Portugal entre os países europeus com maior proporção de cultivo biológico.

Os números revelam um país em transição, mas também evidenciam que a circularidade permanece incipiente e a gestão de resíduos continua dependente de soluções que a Europa já ultrapassou. O relatório é acompanhado pela publicação “Visão Ambiente 2030 – Desafios e Oportunidades”, com 24 artigos que procuram traçar caminhos para uma década decisiva.

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