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Portugueses reciclam mais, mas continuam a desconfiar do destino dos resíduos
Estudo “Portugal Circular” revela hábitos consolidados de separação de lixo, mas mostra fragilidades na literacia ambiental, menor adesão entre jovens e desconfiança sobre o que acontece após a recolha.
09 Dez 2025 - 16:52
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Fotografia cedida por AIVE
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Fotografia cedida por AIVE
A reciclagem já faz parte da rotina da maioria dos portugueses, mas persistem dúvidas e assimetrias que travam a adoção plena de práticas circulares. As conclusões são do estudo “Portugal Circular – Tendências e Atitudes”, promovido pelo Group Gate em parceria com a Netsonda, que analisou os comportamentos e perceções de 500 pessoas entre os 18 e os 64 anos.
Cerca de 60% dos inquiridos diz separar sempre os resíduos, com maior incidência entre os 35 e os 44 anos e na Grande Lisboa. No entanto, entre os jovens dos 15 aos 24 anos, essa disciplina desce para 53%, revelando diferenças geracionais. A ida aos ecopontos também é regular: 29% desloca-se mais de 16 vezes por mês, sobretudo mulheres e pessoas entre os 45 e 64 anos, com o Sul do país a destacar-se.
Plástico e papel/cartão continuam a liderar a reciclagem, ambos com 91% de adesão, seguidos do vidro (88%). Pilhas chegam aos 70%, enquanto o metal fica pelos 51%. As motivações são sobretudo éticas: 81% recicla por preocupação ambiental, e 76% porque considera que “é a coisa certa a fazer”. Recompensas materiais têm um peso residual.
Entre quem não recicla, 29% não confia que os materiais tenham destino efetivamente sustentável. A perceção de ausência de benefícios e a falta de tempo (21% cada) também surgem como obstáculos. A literacia ambiental permanece limitada: apesar de 78% afirmarem conhecer os 3Rs, apenas 44% sabem o que é economia circular e 85% desconhecem o valor económico dos materiais reciclados. Quase um quarto não sabe o que acontece ao lixo após a recolha.
A exigência de transparência cresce: 92% gostariam de ter acesso a estatísticas locais de reciclagem, e 73% valorizam a existência de apps ou plataformas com dados atualizados. A internet é a principal fonte de informação (69%), seguida da televisão (46%) e das redes sociais (36%). A influência de especialistas digitais é ainda reduzida.
Para Pedro Costa, Head of Data & Analytics do Group Gate, o estudo mostra “que os portugueses estão cada vez mais atentos à reciclagem e dispostos a integrar práticas sustentáveis no quotidiano, embora existam áreas com margem de evolução”. A seu ver, os resultados revelam “uma oportunidade clara para reforçar a comunicação pública, investir em literacia ambiental e aumentar a transparência sobre o destino e impacto dos resíduos, aproximando os cidadãos das políticas de sustentabilidade”.
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