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Produção baseada em hidrogénio enfrenta riscos globais com crise no Médio Oriente

Usado como combustível e como matéria prima, o hidrogénio está a prejudicar diversas cadeias de valor, particularmente no mercado dos fertilizantes.

18 Jun 2026 - 12:10

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Foto: Grupo Protec

Foto: Grupo Protec

O conflito no Médio Oriente está a perturbar a produção e o comércio global de produtos baseados em hidrogénio, como fertilizantes, produtos refinados e indústria química, expondo algumas fragilidades nestas cadeias de abastecimento, segundo um novo relatório da Agência Internacional da Energia (AIE).

A mais recente edição do relatório Global Hydrogen Review conclui que a crise está a renovar o interesse no hidrogénio e nos combustíveis derivados do hidrogénio como opções para reforçar a segurança energética a longo prazo, embora o hidrogénio de baixas emissões ainda esteja longe da escala necessária para responder de forma imediata.

Segundo o documento, a procura global de hidrogénio ultrapassou 100 milhões de toneladas em 2025, enquanto a produção de hidrogénio de baixas emissões cresceu 20%, atingindo quase 1 milhão de toneladas. No entanto, obstáculos persistentes, como custos elevados, procura incerta, regulamentação complexa e falta de infraestruturas, continuam a travar o desenvolvimento do hidrogénio de baixas emissões, tornando “cada vez mais inalcançáveis” os objetivos definidos pelos governos para 2030, assinala a AIE.

“A crise atual destacou o grau de dependência das economias mundiais do comércio de produtos baseados em hidrogénio — desde fertilizantes a combustíveis e matérias-primas industriais — e o papel significativo do Médio Oriente nessas cadeias de abastecimento”, afirma Fatih Birol, diretor executivo da AIE. “Os países procuram formas de tornar os seus sistemas energéticos mais resilientes e diversificados. O hidrogénio de baixas emissões pode desempenhar um papel importante nesse esforço ao longo do tempo, mas será necessário um apoio político mais forte e uma implementação muito mais rápida antes de poder contribuir de forma significativa em grande escala”, acrescenta Birol num comunicado divulgado pela agência internacional nesta quinta-feira.

A AIE destaca que a área de fertilizantes está a ser particularmente afetada pelo conflito, dado que o Médio Oriente é responsável por cerca de um sexto da produção mundial de hidrogénio e desempenha um papel importante no comércio global de amoníaco, ureia, metanol e produtos refinados. Desta feita, a perturbações na produção, nas exportações e nas rotas de transporte contribuíram para a escassez da oferta e a volatilidade de preços nos mercados globais. As consequências notam-se, por exemplo, nos preços da ureia, que duplicaram entre janeiro e maio de 2026.

Hidrogénio verde cresce lentamente

A análise centra-se também na produção de hidrogénio de baixas emissões, referindo que este deverá atingir um novo recorde em 2026 e ultrapassar, pela primeira vez, 1% da produção global de hidrogénio. Ainda assim, o ritmo de investimento abrandou em 2025, com atrasos em decisões finais de investimento e uma redução da carteira de projetos em desenvolvimento, evidenciando os desafios do setor.

A AIE nota que, apesar do apoio político em alguns mercados, o hidrogénio de baixas emissões e os seus derivados continuam significativamente mais caros do que as alternativas convencionais na maioria dos países. “Embora a diversificação possa reforçar a segurança energética, também pode implicar custos adicionais”, assinala a instituição.

Assim, a carteira de projetos anunciados para produzir hidrogénio de baixas emissões até 2030 reduziu-se cerca de um quarto face ao ano anterior, situando-se em 27 milhões de toneladas, devido a atrasos e cancelamentos. Os projetos que já atingiram decisão final de investimento ou têm elevada probabilidade de entrar em operação até 2030 caíram de 10 milhões de toneladas no ano passado para pouco mais de 6 milhões de toneladas.

A procura continua a ser o principal elemento em falta. O volume de hidrogénio de baixas emissões coberto por novos contratos manteve-se reduzido em 2025, praticamente inalterado face ao ano anterior. Apenas cerca de 20% dos volumes recentemente contratados estavam suportados por compromissos contratuais firmes.

A falta de certeza na procura continua a ser apontada pelos promotores como uma das maiores barreiras ao investimento.

A China mantém a liderança na instalação de eletrolisadores, representando cerca de 75% das novas instalações em 2025, num contexto em que a capacidade instalada global duplicou para 4 gigawatts (GW).

 

 

 

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