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Produção de carne domina desflorestação, mas consumo interno tem maior impacto que exportações
Investigadores criam primeiro mapeamento global por país e mostram que milho arroz e mandioca para consumo interno geram mais desflorestação do que cacau café e borracha. A nível global, produção de carne domina e é responsável por 40% da desflorestação.
25 Mar 2026 - 12:15
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A produção de carne bovina é responsável por 40% da desflorestação a nível mundial, seguida a larga distância pela produção de óleo de palma (9%), pela soja (5%) e milho e arroz, ambos com 4%, avança um estudo realizado por investigadores da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia. A investigação confirma o impacto já conhecido da produção de carne, mas revela também fatores menos discutidos que contribuem significativamente para a perda de floresta a nível global, nomeadamente a produção para consumo interno.
A análsie refere que a produção alimentar continua a ser a principal causa de desflorestação no mundo. No entanto, até agora, não existia um mapeamento detalhado que permitisse perceber, com precisão, quais as culturas responsáveis por esse fenómeno em cada país. Para colmatar essa lacuna, os investigadores Chandrakant Singh e Martin Persson desenvolveram o modelo ‘Deforestation Driver and Carbon Emissions’ (DeDuCE), que cruza dados de satélite sobre o uso do solo com estatísticas agrícolas globais.
“As ligações entre a desflorestação e a produção alimentar têm sido estudadas há muito tempo, mas frequentemente com foco em alguns produtos, como a carne bovina, a soja e o óleo de palma, que são bem conhecidos neste contexto; e em alguns países, como o Brasil ou a Indonésia. No nosso estudo, combinámos extensos dados de satélite sobre o uso do solo com estatísticas agrícolas de uma forma que nos permite obter a imagem mais completa e precisa até agora sobre o que está a impulsionar a desflorestação a nível mundial”, afirma Singh.
Com base neste modelo, o estudo analisou 179 países e 184 produtos agrícolas, concluindo que cerca de 122 milhões de hectares de floresta desapareceram entre 2001 e 2022 devido à expansão agrícola e mais de 80% dessa perda ocorreu em regiões tropicais.
Para além dos impactos já conhecidos, como a criação de pastagens para gado ou a produção de soja e óleo de palma para exportação, o estudo destaca o papel relevante das culturas alimentares básicas. Produtos como o milho, o arroz e a mandioca, maioritariamente produzidos para consumo interno, são responsáveis, em conjunto, por cerca de 11% da desflorestação associada à agricultura, um valor superior ao registado por culturas como o cacau, o café e a borracha, que representam menos de 5%.
Ao contrário de outros produtos, cuja produção se concentra em regiões específicas, a desflorestação associada a culturas básicas está distribuída por várias partes do mundo. Este dado, segundo os investigadores, demonstra que o problema não está apenas ligado ao comércio internacional, mas também à produção agrícola destinada aos mercados domésticos.
Os investigadores referem que o debate sobre a desflorestação tem gravitado muito à volta do impacto das importações de países ricos na desflorestação, porém, “não podemos esquecer que uma grande parte da desflorestação é impulsionada pela produção agrícola destinada aos mercados internos. Para reduzir efetivamente a desflorestação, é necessário também agir nos países produtores”, afirma Martin Persson.
Os investigadores esperam que os seus resultados possam servir de apoio à tomada de decisões por parte de entidades governamentais e empresas que pretendam reduzir a desflorestação.
O estudo fornece ainda uma estimativa das emissões de dióxido de carbono associadas à desflorestação. Entre 2001 e 2022, terão sido libertadas cerca de 41 mil milhões de toneladas de CO₂, sobretudo devido à prática de queimar áreas florestais para dar lugar a atividades agrícolas e pecuárias. Apesar de inferior a estimativas anteriores, este valor representa ainda cerca de 5% das emissões globais.
Entre os países mais responsáveis pela desflorestação, o Brasil surge destacado, com 32% do total global, seguido pela Indonésia (9%), China (6%), República Democrática do Congo (6%), Estados Unidos (5%) e Costa do Marfim (3%).
O estudo ‘Global patterns of commodity-driven deforestation and associated carbon emissions foi’ publicado na revista Nature Food.
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