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Projeto europeu de embalagens antimicrobianas sustentáveis com “resultados promissores”

Objetivo é reduzir o uso de plásticos em embalagens de alimentos perecíveis. O NOVAPACK envolve parceiros de Portugal, Espanha, Tunísia e Egito, países particularmente afetadas pelo desperdício alimentar, escassez de água e alterações climáticas.

10 Dez 2025 - 11:30

3 min leitura

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

O grupo de Bioativos & Bioprodutos do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa (UCP) coordena um projeto que procura desenvolver soluções inovadoras de embalagem com propriedades bioativas, extraídas de subprodutos vegetais produzidos na zona do mediterrâneo. O projeto NOVAPACK – Novel Antimicrobial Coatings and Packaging in the Mediterranean reúne oito parceiros de quatro países mediterrânicos – Portugal, Espanha, Tunísia e Egito – regiões particularmente afetadas pelo desperdício alimentar, escassez de água e alterações climáticas. Lançado em dezembro de 2024, as avaliações de atividade biológica e estabilidade dos extratos já desenvolvidos apresentam agora “resultados promissores”, para a sua futura incorporação em embalagens inteligentes e biodegradáveis, revela a UCP.

“O NOVAPACK tem promovido a cooperação científica entre países mediterrânicos, o intercâmbio de conhecimento sobre biotecnologia e materiais sustentáveis, mas também a formação de jovens investigadores em práticas de bioeconomia circular,” revela Manuela Pintado, investigadora do CBQF da Escola Superior de Biotecnologia da UCP e coordenadora do projeto.

Desde o lançamento do projeto em dezembro de 2024, o consórcio liderado pelo Centro de Biotecnologia e Química Fina concluiu a caracterização físico-química e microbiológica dos subprodutos selecionados, bem como a otimização dos processos de extração verdes com foco na obtenção de compostos bioativos, nomeadamente polifenóis polissacarídeos e fibras estruturais, ingredientes com diferentes propriedade tecnológicas e funcionais, desde extratos com potencial antimicrobiano e/ou antioxidante, até materiais flexíveis e biodegradáveis, fundamentais ao desenvolvimento de novas embalagens inteligentes e amigas do ambiente.

A colheita das matérias-primas ocorreu em território nacional com produtores e indústria, os quais permitiram o fácil acesso. Após o processo de recolha controlada e controlo de qualidade e segurança alimentar foram produzidos os primeiros extratos, os quais seguem uma ideologia de extrações verdes e que permitem extrações em cascata de diferentes compostos/ moléculas de interesse.

Em Portugal, o projeto envolve não só o CBQF, bem como a startup AgroGrIN Tech, responsável pelo ‘scale-up’ em ambiente piloto dos extratos com maior potencial. Extratos esses que serão enviados para Espanha, para a avaliação pelo CTNC e aplicados pela EVERSIA e AIMPLAS, parceiros industriais nas áreas de produção de compósitos e embalagens, que farão a integração dos extratos e produção em ambiente industrial.

As embalagens produzidas serão depois testadas no terreno pelo parceiro do Egipto, NRC, que avaliará a permanência das características, e pelos parceiros da Tunísia, nomeadamente a Universidade de Gabes, parceiro de I&D, e a Zina Fresh, produtor de vegetais e frutas.

Para o futuro, o projeto espera alcançar “impactos significativos”, incluindo a redução do uso de plásticos na conservação de alimentos perecíveis, o controlo eficaz da deterioração alimentar através de extratos naturais, o reforço económico dos produtores e agricultores e a criação de ecossistemas agrícolas mais resilientes às alterações climáticas. O projeto tem uma duração de 36 meses.

 

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