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Reciclagem de embalagens recua no arranque de 2026 apesar de maior investimento no setor

Sociedade Ponto Verde alerta para ineficácia do modelo atual e insiste na urgência de medidas estruturais para cumprir metas europeias de reciclagem.

15 Abr 2026 - 18:02

3 min leitura

Foto: Freepik

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A recolha seletiva de embalagens voltou a dar sinais de estagnação no início de 2026, em sentido contrário ao reforço de investimento no setor. De acordo com dados divulgados pela Sociedade Ponto Verde (SPV), foram encaminhadas para reciclagem 114.490 toneladas de resíduos de embalagens no primeiro trimestre do ano, menos 1% do que no mesmo período de 2025.

A quebra, ainda que ligeira, prolonga uma tendência dos últimos anos e levanta dúvidas sobre a eficácia do modelo atual de gestão de resíduos. “Continuam a registar-se resultados aquém do necessário”, sublinha a CEO da SPV, Ana Trigo Morais, defendendo uma maior exigência na aplicação dos recursos disponíveis.

Em 2025, os valores de contrapartida pagos às autarquias e sistemas concessionários aumentaram em mais de 90 milhões de euros, elevando o total para 212 milhões. Para 2026, está previsto um novo acréscimo de 25 milhões, atingindo um investimento estimado de 237 milhões de euros.

Entre os materiais, o vidro e as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) continuam a apresentar os maiores desvios. O vidro registou um decréscimo de 1%, com 48.187 toneladas recicladas, mantendo-se distante das metas definidas. Já a ECAL recuou 2%, para 2.100 toneladas. Também o plástico apresentou uma quebra significativa de 8%.

Por sua vez, o papel/cartão e o alumínio registaram evoluções positivas: o primeiro cresceu 2%, para 40.852 toneladas, enquanto o segundo aumentou 9%, ainda que com um peso reduzido no total (508 toneladas).

Os dados reforçam a pressão sobre Portugal para cumprir a meta europeia de reciclagem de embalagens, fixada em 65%. Em 2025, o país ficou pelos 60,2% (valor preliminar), entrando em incumprimento, relembra a SPV.

A entidade gestora de resíduos defende que o problema não está apenas no financiamento, mas na sua aplicação. A prioridade, argumenta, deve passar pela modernização do sistema, com maior incorporação de tecnologia, soluções de proximidade e modelos que incentivem a participação dos cidadãos, como a recolha porta-a-porta ou sistemas “pay as you throw”.

Simultaneamente, alerta para perdas económicas significativas, com cerca de 32,7 milhões de euros em materiais recicláveis a continuarem a ser desviados para aterro, numa altura em que os mesmos se aproximam do seu limite de capacidade.

Para inverter o ciclo, a SPV refere ainda a necessidade de maior transparência nos sistemas municipais e concessionários, bem como a adoção de soluções específicas para setores críticos, como o canal HORECA.

Ana Trigo Morais reitera: “Os recursos disponíveis permitem a evolução estrutural do sistema e se, a isso, juntarmos uma abordagem construtiva, colaborativa e orientada para soluções concretas, centradas em dados e metas, chegaremos a um setor cada vez mais robusto e preparado para os desafios do futuro no que diz respeito ao Ambiente e Economia Circular”.

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