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Reino Unido lança estratégia para reduzir dependência externa de minerais críticos
Governo quer produzir 10% das necessidades internas e reciclar 20% até 2035, com investimento até 58 milhões de euros.
24 Nov 2025 - 08:58
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Keir Starmer | Foto: Wikipedia
O Reino Unido apresentou a nova Estratégia para Minerais Críticos, um plano destinado a reduzir a dependência do país de importações destes componentes e a reforçar a segurança nacional perante choques globais.
A estratégia, apoiada por um financiamento de até £50 milhões (cerca de €58 milhões), estabelece como meta que, até 2035, 10% das necessidades britânicas de minerais críticos sejam satisfeitas por produção interna e 20% resultem de reciclagem. O Governo fixou ainda o objetivo de produzir, durante a próxima década, pelo menos 50 mil toneladas de lítio em território britânico, uma quantidade superior ao peso do Titanic, segundo explica no comunicado divulgado neste fim de semana.
A iniciativa surge num contexto em que a China domina entre 70% e 90% da mineração e refinação dos principais minerais críticos, deixando o Reino Unido vulnerável a ruturas, sobretudo em setores como a mobilidade elétrica, a energia renovável e a defesa, sustenta o executivo de Keir Starmer.
As estimativas oficiais apontam para que a procura de cobre no país praticamente duplique até 2035, enquanto a procura de lítio deverá crescer 1.100%. Perante este cenário, o Governo pretende garantir que nenhum país forneça mais de 60% das importações britânicas de qualquer mineral crítico.
O primeiro-ministro, Keir Starmer, destaca que os minerais críticos são “a coluna vertebral da vida moderna e da nossa segurança nacional. Alimentam tudo, desde smartphones e aviões de combate até veículos elétricos e turbinas eólicas”. Sublinha que “durante demasiado tempo, o Reino Unido dependeu de um pequeno número de fornecedores estrangeiros, deixando a nossa economia e a nossa segurança nacional exposta a choques globais. É por isso que estamos a tomar medidas decisivas para mudar esta realidade, reforçando a produção interna, aumentando a reciclagem e apoiando as empresas britânicas com o investimento de que precisam para competir no palco internacional e reduzir o custo de vida das famílias em casa”.
Recursos nacionais identificados
O Executivo refere que vai trabalhar com o setor para potenciar recursos nacionais já identificados, como o maior depósito de lítio da Europa situado na Cornualha, uma das maiores reservas mundiais de tungsténio, a refinaria de níquel de Clydach, no País de Gales, e a única fonte ocidental de ligas de terras raras necessárias para ímanes utilizados em turbinas eólicas e aviões F-35.
A estratégia prevê igualmente acelerar os processos de licenciamento para projetos de extração e reciclagem e reforçar as competências necessárias a este setor.
O ministro da Indústria, Chris McDonald, afirma que o plano criará novos empregos, impulsionará o crescimento e reforçará a resiliência económica. “Estamos a tomar as medidas ousadas necessárias para reforçar as nossas cadeias de abastecimento, aumentar a produção interna e apoiar as empresas com o investimento de que precisam para criar novos empregos e impulsionar o crescimento, no âmbito do nosso Plano para a Mudança”, refere no mesmo comunicado.
Os investimentos já em marcha incluem £31 milhões (cerca de €36 milhões) do National Wealth Fund para acelerar dois projetos de lítio na Cornualha. O Governo pretende também reduzir os custos energéticos industriais através do programa British Industrial Competitiveness Scheme, cujo processo de consulta será lançado em breve.
Atualmente, o sector dos minerais críticos representa £1,79 mil milhões (cerca de €2,08 mil milhões) para a economia britânica e emprega mais de 50 mil trabalhadores, com mais de 50 projetos ativos em extração e refinação.
Para reforçar a resiliência nacional, Londres irá avaliar a criação de reservas estratégicas de minerais críticos, incluindo no quadro de iniciativas da NATO. Paralelamente, pretende aprofundar parcerias com países ricos em recursos, diversificando cadeias de abastecimento e apoiar empresas britânicas na expansão internacional, segundo a nova estratégia.
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