Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Relatório sugere monitorização para evitar novas descargas de efluentes no rio Lis

Documento propõe medidas de mitigação e requalificação, como a redução de pressões difusas e pontuais sobre a qualidade da água, a melhoria da eficiência e da redundância operacional das infraestruturas de drenagem e elevação.

15 Jan 2026 - 17:00

4 min leitura

Rio Lis | Foto: Visite Leiria

Rio Lis | Foto: Visite Leiria

O relatório final do estudo de avaliação de impactos ambientais após as descargas de efluentes não tratados no rio Lis devido a uma avaria propõe a redundância operacional de infraestruturas e monitorização, entre outras medidas.

O documento, ao qual a agência Lusa teve acesso nesta quinta-feira, sugere medidas de mitigação e requalificação, como a redução de pressões difusas e pontuais sobre a qualidade da água, a melhoria da eficiência e da redundância operacional das infraestruturas de drenagem e elevação, a requalificação hidromorfológica e ecológica do rio e a implementação de um plano de monitorização.

O objetivo das medidas passa por reforçar a resiliência do sistema, assim como prevenir a ocorrência de situações semelhantes no futuro e promover a recuperação gradual da qualidade ecológica do rio Lis, segundo o relatório final do Estudo Técnico para Avaliação de Danos Ambientais e Medidas de Mitigação, adjudicado pela Águas do Centro Litoral (AdCL) ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro.

O documento foi apresentado na reunião desta quinta-feira da comissão de acompanhamento criada para avaliar a avaria, em agosto de 2025, na estação elevatória de Monte Real, os seus impactos e a necessidade de investimentos, que se realizou na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) do Coimbrão, no concelho de Leiria.

Em 12 de agosto de 2025, uma avaria naquela estação elevatória no concelho de Leiria, gerida pela AdCL, obrigou à descarga de milhares de metros cúbicos de efluentes não tratados para o rio Lis, que desagua na Praia da Vieira, concelho da Marinha Grande, e em valas de rega.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estimou que foram lançados ao rio entre 20 mil e 25 mil metros cúbicos de esgoto bruto.

Na ocasião, os banhos na Praia da Vieira foram interditados e o Município de Leiria desaconselhou atividades no troço do rio Lis a jusante de Monte Real, como captações para rega, banhos e pesca.

O relatório final reitera as conclusões do relatório prévio do mesmo estudo, com data de outubro, segundo o qual a descarga acidental de efluente não tratado provocou um “acentuado aumento da carga orgânica nestes ecossistemas, com consequente redução do oxigénio dissolvido, mortalidade piscícola significativa e um fenómeno evidente de eutrofização”, situação já ultrapassada.

O relatório prévio assinalou, contudo, existir “contaminação microbiológica recorrente no rio Lis”.

“A contaminação fecal neste troço do rio Lis não se limita” ao acidente na estação, “sugerindo antes um problema estrutural e persistente nos locais monitorizados”, acrescentou.

A este propósito, o relatório prévio notou que “a observação de valores elevados de E. coli e enterococos em vários pontos, incluindo a montante” da estação onde ocorreu a avaria, sugere “a presença de outras fontes de poluição difusa ou pontual, que deverão ser investigadas”.

Após a reunião, o presidente da AdCL, Alexandre Tavares, referiu aos jornalistas que “a vantagem do estudo da Universidade de Aveiro é que trouxe novos indicadores, do ponto de vista ambiental, que alargaram a perspetiva como se olhava para este problema”, e adiantou que a empresa vai seguir as propostas.

“Além das questões da monitorização futura de acompanhamento em que a AdCL estará envolvida (…), o sentido que está aqui é que tem de se alargar a outras entidades aquilo que são as razões de pressão ambiental de contexto” no rio, sustentou.

Salientando que a empresa “está a criar resiliência” nos processos de tratamento, elevação e transporte de efluentes, Alexandre Tavares ressalvou que “existe um outro conjunto de orientações e de processos de monitorização e de acompanhamento da qualidade ambiental que tem de ser transversais a todas as partes interessadas no território”.

Integram a comissão de acompanhamento a Secretaria de Estado do Ambiente, Agência Portuguesa do Ambiente, Câmaras de Leiria e da Marinha Grande, Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis, Junta de Freguesia da Vieira de Leiria, União das Freguesias de Monte Real e Carvide e AdCL.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade