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Rua em Arroios escolhida para testar novas formas de mobilidade em Lisboa

Projeto-piloto de 12 meses vai avaliar tráfego, mobilidade suave e uso do espaço público na Rua Almirante Barroso para futuras intervenções na cidade de Lisboa.

22 Jun 2026 - 16:51

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

A Rua Almirante Barroso, junto ao Liceu Camões, em Arroios, vai ser testada, num projeto-piloto, com soluções de equilíbrio entre tráfego e mobilidade suave, que a Câmara de Lisboa poderá depois estender a outras zonas da cidade.

O projeto de 12 meses, apresentado nesta segunda-feira, foi iniciado em ‘back office’ em abril e parte de uma parceria entre a Câmara de Lisboa (CML) e o Sustainable Urban Transitions (SUT) Lab, laboratório gerido pelo Bolt Urban Fund e pela universidade Técnica de Zurique (ETH Zurich).

Os promotores explicaram que o projeto-piloto pretende desenvolver e avaliar, durante um ano, os padrões de deslocação, “os fluxos de tráfego, ciclismo e micromobilidade, utilização do espaço público e acessibilidade pedonal”, para, a partir daí, desenhar alternativas de mobilidade.

Segundo o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis, o objetivo é adaptar a rua a novos usos de mobilidade suave ou pedonal, estando a autarquia disponível para implementar as soluções que forem sugeridas.

“Vamos analisar e vamos ver qual é o impacto para a comunidade, para os peões, para os automóveis, para os ciclistas, e a partir daí vamos tirar conclusões”, disse o vereador, sublinhando que o projeto irá também recolher dados estatísticos “durante e depois dos processos”, para medição dos impactos e sustentação das conclusões.

“Ou seja, vamos implementar a solução de reforço do pedonal, mas vamos também medir o impacto e ir acompanhando para depois ir ajustando”, acrescentou, realçando que a estratégia da autarquia em termos de mobilidade “respeita o transporte individual, o transporte automóvel, mas incentiva o transporte público, incentiva o pedestre” e também os modos de transporte suave, como uma rede ciclável.

A Rua Almirante Barroso foi proposta pela CML para o projeto porque já tem “uma mistura de usos”, está localizada num bairro onde existe bastante pressão, com bastante utilização, e está próxima de um liceu.

Gonçalo Reis destacou que existem outros projetos para a mobilidade na cidade, nomeadamente em zonas históricas, que serão incluídas num programa mais alargado e mais estruturado de mobilidade que será apresentado “em breve”.

“Em Lisboa queremos perceber como é que é possível fomentar que haja uma mobilidade mais sustentável das pessoas, menos carros privados, sobretudo mobilidade partilhada, transportes públicos, andar a pé”, disse Sofia Cartó, Diretora de Políticas Públicas da Bolt, salientando que o Bolt Urban Fund desenvolve estes projetos ao abrigo da responsabilidade social.

Do programa resultarão “recomendações concretas para que se possam adaptar as ruas de Lisboa aos cidadãos”, que a Câmara adotará depois e poderá incluir no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Lisboa, que está em desenvolvimento, acrescentou.

O laboratório está a desenvolver, desde abril de 2025, projetos-piloto semelhantes em cidades como Sevilha e Hannover, sendo Lisboa o “projeto mais ambicioso até agora” do SUT Lab, ao criar intervenções piloto específicas e analisar o seu impacto antes de o ampliar, disse à Lusa a responsável pelo Bolt Urban Fund, Eirini Zafeiratou.

Segundo Eirini Zafeiratou, em Sevilha e Hannover os projetos usam dados GPS provenientes do uso de ‘ride-hailing’, ‘eBike’ e ‘eScooter’, combinados com dados sociodemográficos, inquéritos da aplicação da Bolt e vários conjuntos de outros dados urbanos, tendo estudado até agora mais de dois milhões de viagens nas duas cidades, informando novos modelos baseados em simulação.

Em termos concretos, “em Sevilha o projeto está a avaliar detalhadamente os benefícios da expansão planeada do metro e em Hannover está a identificar localizações otimizadas para uma rede planeada de polos de mobilidade que liguem transportes públicos, mobilidade partilhada e ativa”, explicou, salientando que, fora da Europa, um projeto em Assunção, no Paraguai, está a avaliar as ligações entre mobilidade partilhada e transporte público.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

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