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Aposta nas proteínas vegetais pode reduzir emissões e dependência do setor alimentar da UE
A AEA considera que as opções vegetais têm potencial para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, a poluição por azoto e a pressão sobre o uso do solo. Alternativas como insetos ou carne cultivada em laboratório podem ser soluções viáveis
22 Jun 2026 - 14:48
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Alargar a variedade de proteínas produzidas e consumidas na União Europeia (UE) pode reforçar a segurança alimentar, melhorar a resiliência, aumentar a competitividade e reduzir as pressões ambientais, segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA), publicado nesta segunda-feira.
Além de alimentos vegetais já conhecidos, como leguminosas, feijões e alternativas à carne e aos lacticínios, a AEA avalia opções ainda emergentes como insetos, fermentação de biomassa, fermentação de precisão e carne cultivada.
No entanto, estas abordagens ainda “diferem em termos de maturidade tecnológica, desempenho ambiental, viabilidade económica e aceitação social”.
Assim, as proteínas de origem vegetal oferecem atualmente os benefícios ambientais mais imediatos, já que dependem de sistemas de produção já estabelecidos e que já integram mercados maduros, ganhando alguma familiaridade perto dos consumidores.
As opções vegetais, tem um potencial significativo para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, a poluição por azoto e a pressão sobre o uso do solo, ao mesmo tempo que cria oportunidades de restauro da natureza e de criação de valor em todo o sistema alimentar e agrícola.
Atualmente, a ingestão média de proteínas entre adultos na União Europeia (UE) é de cerca de 80 a 85 gramas por pessoa por dia, mais do que o necessário para a maioria dos grupos populacionais. Cerca de 60% das proteínas ingeridas são produtos de origem animal.
Como consequência, o sistema de proteínas da Europa está “frequentemente associado a pressões ambientais significativas”, indica o relatório. A produção pecuária é responsável por mais de 65% das emissões de gases com efeito de estufa na agricultura na UE, e o pastoreio e a produção de alimentos para animais ocupam, em conjunto, mais de metade da terra agrícola.
Além disso, o azoto associado à pecuária e ao uso de fertilizantes ainda contribuem para a poluição das águas. Já a agricultura foi responsável por cerca de 94% das emissões de amoníaco da UE em 2023.
Segundo a AEA, o ecossistema pecuário “depende fortemente de alimentos importados”, uma vez que a UE importa quase dois terços da ração utilizada na produção pecuária de países como o Brasil, a Argentina e os Estados Unidos.
Só as importações de soja atingem cerca de 30 milhões de toneladas por ano, maioritariamente destinadas à alimentação animal. A expansão dos terrenos de cultivo de soja está ligada ao desflorestamento e à perda de biodiversidade em partes da América do Sul, mostra o relatório.
Neste sentido, a diversificação também abre oportunidades económicas: o consumo global de proteínas alternativas poderá aumentar mais de sete vezes até 2035, enquanto o mercado de proteínas de origem vegetal deverá crescer de cerca de 22 mil milhões de euros em 2025 para 32 mil milhões em 2030, mostra o relatório.
“A Europa está bem posicionada para competir em segmentos de maior valor, abrangendo alimentos à base de plantas, proteínas derivadas de fermentação e ingredientes de alimentação animal mais sustentáveis”, lê-se no documento.
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