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Sofia Santos: “É preciso pôr no business plan o custo que terá no futuro a decisão de não descarbonizar”

A urgência de uma reforma fiscal verde foi abordada pela CEO da Systemic Sphere na conferência “Descarbonização e resiliência a riscos climáticos”. Assim como a necessidade de as empresas olharem “para dentro de si” na hora de encontrar soluções, seg

17 Mar 2026 - 07:35

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Miguel Alexandre Ganhão, Carlos Pinto e Sofia Santos | Foto: Melissa Dores

Miguel Alexandre Ganhão, Carlos Pinto e Sofia Santos | Foto: Melissa Dores

“Espera-se que seja o setor privado a financiar a descarbonização, mas é necessário que exista investimento público e que sejam criadas alguns incentivos e vantagens fiscais”, defendeu Sofia Santos, CEO da Systemic Sphere, consultora na área da gestão e financiamento sustentável. “Se há uma falha de mercado, o Estado deve intervir, como já o fez noutras circunstâncias”, defendeu durante o debate que decorreu no âmbito da Semana da Sustentabilidade, promovida pelo Novobanco.

Sofia Santos tem acompanhado inúmeras empresas em processos de transição energética e possui dúvidas quanto ao grande investimento que se espera nos próximos tempos. “Teremos de ver. O que existe agora é uma maior consciência porque estamos a sentir os efeitos das alterações climáticas”, acrescentou. “Empresas que olham para um horizonte mais largo começaram a pensar sustentabilidade e avançaram. As que quiseram e souberam ser líderes e não seguidoras”.

Uma dessas empresas terá sido o Grupo Costa Nova. Durante o debate, Carlos Pinto, diretor industrial do Grupo Costa Nova, partilhou a sua experiência e percurso, capaz de somar inovação, sucesso e alguma frustração. “O mais importante é que as empresas olhem para dentro de si. E que depois procurem soluções, que não esqueçam o valor do relacionamento com a academia e com outros parceiros de diferentes campos, procurando complementaridade e valências que as ajudem a abordar o problema e a encontrar soluções. No nosso caso, as parcerias foram essenciais, permitiram-nos construir máquinas como o forno que consegue recuperar calor”. Carlos Pinto não tem dúvidas de que “todos querem usar energia limpa, mas o seu custo na produção é um problema. Eletrifico o forno, mas o produto perde competitividade”.

Miguel Alexandre Ganhão, Carlos Pinto e Sofia Santos | Foto: Melissa Dores

Sofia Santos diz que é preciso encarar a necessidade de inscrever no business plan o custo que se terá no futuro se não se iniciar a transição agora. Mas o que pode uma instituição bancária fazer para melhor apoiar a transição? Mudar a forma como se avaliam os projetos, responde. “E desmistificar. Isto não é assim tão complicado, é uma questão de diálogo e de compreensão da linguagem do outro lado. E, por seu lado, o empresário tem de entender diferenças entre medidas que ajudam à mitigação e as de adaptação”.

 

Um passo de cada vez

Carlos Pinto tem orgulho em saber que foram os primeiros na Europa a experimentar hidrogénio na fábrica. Reduziu a pegada carbónica e tem trabalhado na eficiência energética, em produtos com um ciclo de vida prolongado, recicláveis e reutilizáveis. Com o apoio da Câmara Municipal de Ílhavo e inserido numa ‘pool’ de parceiros, projetou uma pequena central de hidrogénio, para o qual não conseguiu aprovação da comunidade europeia. O forno em que investiu não chegou a cozer a hidrogénio.   “O meu conselho é que vão passo a passo, não se atirem de cabeça, é uma caminhada”.

A mesa-redonda foi moderada por Miguel Alexandre Ganhão, editor executivo Jornal PT50, tendo decorrido no âmbito da Semana da Sustentabilidade, uma iniciativa do Novobanco, player que tem vindo a integrar na sua estratégia o apoio a empresas na transição energética.

Texto de Ana Sousa

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