Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

5 min leitura

Transição energética é prioridade para 80% das entidades em Portugal

Análise com 100 entidades de diversos setores concluiu que 74% desconhecem opções de financiamento alternativas e, nessa linha, 81% recorrem a investimentos com capital próprio.

06 Jul 2026 - 14:49

5 min leitura

Foto: Freepik

Foto: Freepik

A transição energética é prioridade para cerca de 80% das entidades em Portugal. Porém, apenas 69% já fizeram efetivamente investimentos nessa área nos últimos três anos, segundo um estudo realizado pelo RAVE, um projeto cofinanciado pelo programa LIFE-CET da Comissão Europeia que visa promover a transição para uma energia mais sustentável em Portugal.

O estudo “Modelos de Financiamento de Transição Energética” apresenta um diagnóstico de como o investimento na transição energética está a ocorrer em Portugal, analisa os modelos de financiamento e destaca as tendências que estão a moldar o futuro deste contexto de investimento.

A mesma análise, que envolveu 100 entidades de diversos setores e de diferentes dimensões, concluiu que 74% das entidades desconhecem opções de financiamento alternativas e, nessa linha, 81% recorrem a investimentos com capital próprio.

Coordenado pela The Equator Company (antiga S317 Consulting), o consórcio do estudo integrou o BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, a DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor e a RNAE – Associação das Agências de Energia e Ambiente.

“A Europa comprometeu-se a ser o primeiro continente neutro em carbono até 2050 e, para passar desta ambição à realidade, é necessário um sólido investimento em energia sustentável. Este estudo pretendeu constituir-se como bússola estratégica, tanto para o setor privado como para o setor público”, refere Filipe de Morais Vasconcelos, membro do Conselho Executivo da The Equator Company. E acrescenta: “Os dados sublinham a necessidade urgente de uma simplificação administrativa, da redução da carga burocrática e os tempos de resposta, que são atualmente os maiores inibidores do investimento privado”.

Já Carlos Santos, Presidente da RNAE, considera que “mais do que definir estratégias, importa criar condições para mobilizar investimento, aproximar os agentes locais e garantir que as soluções chegam ao terreno, onde a transição verdadeiramente acontece”

De salientar que são as microempresas e entidades sem fins lucrativos que enfrentam as maiores dificuldades de investimento por limitações de escala e recursos. O capital próprio tem assim sido a fonte de financiamento predominante, especialmente para projetos de pequena escala, inferiores a 50 mil euros. Porém, segundo a análise, observa-se uma tendência futura para a diversificação, com um interesse crescente em linhas de crédito dedicadas e fundos públicos.

“Apesar da maioria dos investimentos em transição energética continuar a ser realizada internamente, os dados evidenciam o enorme potencial de projetos desenvolvidos em parceria, capazes de gerar escala, reduzir risco e acelerar a inovação”, destaca Filipa Pantaleão, secretária-geral do BCSD Portugal.

Eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica são as áreas tradicionais de foco, mas começa agora a observar-se investimentos em tecnologias emergentes, como o armazenamento de energia e a digitalização. No entanto, o progresso é travado por barreiras significativas, onde o excesso de burocracia (64%) e a morosidade na aprovação de projetos (51%) surgem como os principais obstáculos.

Adicionalmente, o estudo revela um acentuado défice de literacia de fontes de financiamento alternativas, dado que 74% das entidades desconhecem, ou não utilizam, opções de financiamento alternativas, como modelos ESCO, comunidades de energia renovável ou crowdfunding.

Segundo a análise, no curto e médio prazo, o acesso a financiamento e a falta de mão-de-obra qualificada consolidam-se como os desafios mais críticos para as organizações portuguesas.

Com o envolvimento ativo de mais de 200 entidades, o Projeto RAISE elaborou também Policy Notes e Catálogos de Boas Práticas, ferramentas destinadas a apoiar decisões estratégicas em áreas de impacto crítico: indústria, setor público, turismo, habitação, mercado de energias renováveis e terceiro setor. Os documentos, construídos de forma colaborativa, visam traduzir o conhecimento coletivo em orientações práticas para políticas públicas e iniciativas setoriais, contribuindo para a transformação sustentável e inclusiva de Portugal.

Por fim, Ana Tapadinhas, diretora-geral da DECO, refere que “esta transição só será verdadeiramente bem-sucedida se colocar os consumidores no centro das soluções”. Nomeadamente, ao reforçar a importância de mecanismos de financiamento acessíveis, transparentes e equitativos. “As conclusões sublinham a necessidade de se criar instrumentos inclusivos, que não deixem ninguém para trás e que permitam uma participação ativa das famílias nesta transformação. Para a DECO, é essencial que a inovação no financiamento avance em paralelo com a proteção dos direitos dos consumidores e que promova maior confiança e justiça social no sistema energético”, sustenta.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade