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UE acelera transição climática, mas o ritmo ainda não é suficiente

Crescimento de energia solar e empregos verdes contrasta com subsídios excessivos aos fósseis, burocracia e pobreza energética crescente, revela estudo do Observatório Europeu da Neutralidade Climática.

05 Set 2025 - 16:02

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Foto: Unsplash

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A União Europeia (UE) definiu como objetivo tornar-se climáticamente neutra até 2050, iniciando uma transformação em toda a economia. Os progressos no terreno aceleraram desde a avaliação do ano passado, mas o ritmo continua a ser insuficiente, segundo o relatório anual do Observatório Europeu da Neutralidade Climática (ECNO, na sigla em inglês).

Apesar do aumento da energia solar – que tem sido a principal fonte de eletricidade europeia em 2025 – e do crescimento de contratações para setores de tecnologia limpa, os fluxos de investimento, em particular, mantêm-se aquém do necessário, uma lacuna que pode minar tanto a confiança das empresas como o apoio dos cidadãos.

Os desafios vão além da questão ambiental. O relatório defende que acelerar a transição para uma economia limpa é essencial não só para a competitividade europeia a longo prazo, mas também para a segurança do bloco. As tensões geopolíticas crescentes apresentam-se tanto como um desafio, como um reforço do argumento a favor de uma ação mais decisiva.

O ECNO aponta a falta de financiamento como um dos maiores obstáculos para a descarbonização industrial e abrandamento da procura mais ampla por tecnologias limpas. Em 2023, registou-se uma lacuna de 344 mil milhões de euros no investimento climático.

Enquanto os subsídios aos combustíveis fósseis têm aumentado, o atraso revela-se a ritmo insuficiente na renovação de edifícios, no abrandamento da instalação de bombas de calor, na queda de vendas de veículos eletrificados e na diminuta evolução da energia eólica. Também as empresas encaram desafios, como a morosidade nos licenciamentos, a ausência ou insuficiência de infra-estruturas e a dificuldade no acesso a trabalhadores qualificados, salienta o documento.

As alterações climáticas são progressivamente uma ameaça para os meios de subsistência e para os sistemas económico que os sustentam, tendo provocado na Europa perdas na ordem dos 160 mil milhões de euros entre 2021 e 2023, refere a organização.

Outra fonte de vulnerabilidade é a dependência energética da Europa, percetível depois da invasão russa à Ucrânia, garante o ECNO. Só em 2024, a EU importou perto de 400 mil milhões de euros em combustíveis fósseis – 2% do PIB do bloco. O relatório sublinha ainda que dominância chinesa na produção de matérias-primas e inovação tecnológica constitui uma preocupação aos membros europeus.

O relatório indica que, embora o emprego global tenha aumentado, regiões dependentes do carvão e da indústria pesada perderam competitividade nos últimos seis anos, e um número crescente de pessoas considera-se em situação de pobreza energética, atingindo 11% da população europeia em 2023. Além disso, a UE desperdiça tanta comida quanto aquela que importa, equivalendo a cerca de 130 mil milhões de euros em alimentos desperdiçados todos os anos.

O ECNO defende que a UE precisa de criar um quadro de apoio ao investimento em tecnologias limpas, eliminar bloqueios burocráticos, estimular a procura por produtos e tecnologias verdes e garantir a aplicação efetiva da legislação europeia, ajustando incentivos nacionais para eliminar subsídios aos combustíveis fósseis e reforçar a eletrificação e a expansão das renováveis. Além disso, escreve que a UE deve reforçar as considerações climáticas na sua estratégia de política internacional, assim como a resiliência através de ações de adaptação baseadas em dados.

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