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Um terço dos municípios continua sem plano climático dois anos após prazo legal

Nova edição do Mapa de Ação Climática Municipal indica que 108 concelhos permanecem em incumprimento da Lei de Bases do Clima, apesar de progressos na adoção de estratégias energéticas e compromissos de neutralidade carbónica.

16 Abr 2026 - 08:19

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Foto: Adobe Stock/M.studio

Foto: Adobe Stock/M.studio

Cerca de um terço dos municípios portugueses continua sem Plano Municipal de Ação Climática (PMAC), dois anos após o prazo definido pela Lei de Bases do Clima, que expirou em fevereiro de 2024. De acordo com a 4ª edição do Mapa de Ação Climática Municipal, divulgada nesta quinta-feira pela Get2C, 108 dos 308 concelhos permanecem em situação de incumprimento legal.

O estudo indica que apenas 200 dos 308 municípios dispõem de um PMAC em vigor ou em consulta pública, evidenciando progressos face a anos anteriores, mas ainda insuficientes perante as exigências legais e a urgência da resposta climática.

Ainda assim, a análise deteta que, desde a primeira edição, em 2022, tem-se registado uma evolução no compromisso com a neutralidade carbónica. A percentagem de municípios com esse objetivo passou de 11% para 37% em 2025, totalizando 114 concelhos, dos quais 53 já contam com estratégias ou roteiros definidos.

No domínio da energia, 217 municípios possuem estratégias específicas, mais 40 do que no ano anterior. Já na adaptação às alterações climáticas, a cobertura é total, embora muitas das estratégias existentes tenham cerca de uma década e resultem de abordagens intermunicipais, podendo não refletir as necessidades específicas de cada território, refere a análise.

Apesar destes avanços, persistem assimetrias significativas na mitigação de emissões. Os dados mostram níveis mais elevados de intensidade carbónica nos municípios do litoral, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, particularmente nos setores da energia e transportes. Municípios com forte presença industrial destacam-se também pelas maiores emissões por habitante.

O relatório conclui que, apesar do progresso registado, a ação climática municipal em Portugal continua aquém do necessário para cumprir a legislação e responder de forma eficaz à emergência climática.

Para Jorge Cristino, partner da Get2C, “continuamos a progredir em termos de cumprimento e de ações, mas de forma muito lenta”. Na sua perspetiva, “torna-se claro que também nesta área existe um país a duas velocidades, ficando para trás aqueles que têm menos recursos, e que por sinal são os mais vulneráveis. Diria que a transição climática está em curso, mas a passos lentos e desiguais. É urgente acelerar”.

O Mapa de Ação Climática Municipal baseia-se em informação pública e em informação disponibilizada pelos próprios municípios, além de dados recolhidos através do projeto Compromissos Municipais para a Ação Climática, uma iniciativa da Get2C. Esta plataforma permite aos municípios calcular automaticamente e de forma gratuita a sua pegada de carbono nos setores da energia e transportes, definir metas alinhadas com os objetivos nacionais e monitorizar compromissos assumidos em matéria de redução de emissões.

Este mapa foi desenvolvido no âmbito do movimento Cooler World, dinamizado pela Get2C para mobilizar cidadãos, empresas e autarquias em torno da neutralidade carbónica e da adaptação às alterações climáticas. O movimento promove iniciativas como a Viagem pelo Clima e o Autarcas pelo Clima, entre outras conferências que visam acelerar a transição.

 

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