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Von der Leyen defende mercado de carbono após líderes europeus exigirem revisão do CELE
Presidente da Comissão Europeia defende que sistema de comércio de emissões tem “benefícios claros”. Representantes europeus defendem revisão ou adiamento.
13 Fev 2026 - 12:20
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Foto: Alain Rolland / Parlamento Europeu
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Foto: Alain Rolland / Parlamento Europeu
A cimeira de líderes europeus que decorreu em Bruxelas nesta semana tornou-se o palco de conversações sobre o futuro do sistema de Comércio Europeu de Licenças de Emissões (CELE). Numa conferência de imprensa após o encontro, Ursula von der Leyen defendeu que o sistema tem “benefícios claros” e que estão previstas salvaguardas para modular o preço do carbono caso este suba “demasiado” ou as circunstâncias económicas se deteriorem.
A presidente da Comissão explicou que, com a reserva de estabilidade do mercado, é possível modular os preços. Acrescentou que a Comissão Europeia irá analisar estes mecanismos na revisão programada para julho. Von der Leyen fez questão de sublinhar que o sistema gerou 200 mil milhões de euros em receitas para os orçamentos nacionais desde a sua criação, em 2005.
O que precipitou a intervenção de von der Leyen foi uma série de declarações de líderes nacionais que, nos dias anteriores à cimeira, colocaram abertamente em causa a continuidade do CELE nos moldes atuais. Aos chefes de governo da Alemanha, Itália e República Checa juntaram-se vozes da indústria para exigir uma revisão ou adiamento do sistema, argumentando que o preço das licenças de emissão penaliza a competitividade europeia num momento de pressão económica global.
Na quarta-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz tinha afirmado que a UE deveria estar disponível a rever ou adiar o CELE. Na quinta-feira, Merz recuou parcialmente, defendendo o CELE como “um instrumento eficaz que torna possível o crescimento sem gerar emissões adicionais de CO2”, como cita a agência Reuters. Confrontado com as suas declarações do dia anterior, o líder da CDU disse que o propósito do CELE é promover a inovação através do preço das emissões, e que esse propósito deve ser regularmente revisto.
O preço das licenças europeias de emissão de carbono caiu abruptamente durante as sessões desta semana, à medida que os operadores interpretavam as declarações dos líderes como um sinal de instabilidade regulatória. O debate não é novo, mas ganhou nova urgência no contexto de uma Europa pressionada por múltiplas frentes: a concorrência industrial da China e dos Estados Unidos, os efeitos da crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia, e o regresso de uma retórica protecionista que coloca a competitividade acima da descarbonização.
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