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Voos de jatos privados para Fórum Económico Mundial triplicam em três anos apesar de participação estável
Greenpeace denuncia “hipocrisia” da elite global e exige tributação da aviação de luxo. Relatório conclui que 70% das rotas poderiam ter sido feitas de comboio.
15 Jan 2026 - 18:01
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Foto: Marten van Dijl / Greenpeace
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Foto: Marten van Dijl / Greenpeace
A atividade de jatos privados associada à reunião anual do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês), em Davos, na Suíça, registou um aumento inédito nos últimos três anos. Durante a semana do fórum de 2025, foram identificados 709 voos adicionais em aeroportos próximos de Davos. É o equivalente a quase um voo por cada quatro participantes do evento.
“É pura hipocrisia que a elite mais poderosa e super-rica do mundo discuta os desafios globais e o progresso em Davos, enquanto literalmente queima o planeta com as emissões dos seus jatos privados”, acusou Herwig Schuster, responsável de campanhas da organização ecologista Greenpeace. “O momento de agir é agora”, reitera, “os governos têm de travar os voos de luxo poluentes e taxar os super-ricos pelos danos que causam”.
Os dados, divulgados no relatório “Davos no Céu” pela Greenpeace Central e da Europa de Leste, revelam um aumento de 10% face a 2024, quando se registaram 628 voos, e uma subida de três vezes em comparação a 2023, que contabilizou 227 voos. O crescimento exponencial contrasta com a estabilidade no número de participantes no fórum, sugerindo uma intensificação no uso de aviação privada.
A análise, que monitorizou chegadas e partidas a aeroportos próximos de Davos antes, durante e após a eunião do WEF em cada um dos últimos três anos, revela ainda que o aumento não resulta de maior afluência ao evento, de viagens repetidas. EM 2024 e 2025, vários jatos privados realizaram múltiplos voos de entrada e saída ao longo da mesma semana, transformando a região num centro de transporte aéreo para os participantes.
A Greenpeace calculou que cerca de 70% das rotas efetuadas por jatos privados poderiam ter sido feitas de comboio no espaço de um dia, ou através de comboio noturno com ligação, sublinhando a existência de alternativas de baixo carbono viáveis para grande parte destas deslocações.
A organização ambientalista defende o apoio às negociações em curso na Convenção das Nações Unidas sobre Fiscalidade – UNFCITC, “com vista a novas regras fiscais globais até 2027 e insta os governos a implementarem novas regras fiscais globais sobre riqueza extrema, incluindo uma taxa sobre a aviação de luxo, como jatos privados e voos em primeira classe e classe executiva”.
O WEF, que reúne anualmente líderes políticos, empresariais e da sociedade civil para discutir questões económicas e sociais globais, incluindo as alterações climáticas, enfrenta agora críticas sobre a pegada de carbono associada à deslocação dos seus participantes, numa altura em que a urgência da ação climática é significativamente debatida na agenda internacional.
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