3 min leitura
A adaptação climática exige decisões económicas
Os danos nas infraestruturas, a pressão sobre os serviços públicos e os apoios à recuperação das empresas e das famílias podem afetar as contas públicas. Por Sofia Santos, PhD, CEO da Systemic Sphere
06 Nov 2026 - 07:01
3 min leitura
Sofia Santos PhD CEO da Systemic Sphere
- Conselho da UE aprova adiamento das regras do metano para não impactar segurança energética
- Abandono dos combustíveis fósseis pode travar aquecimento global até 2050
- EDP revê em alta metas financeiras para 2026 e prevê lucros até 1.500 ME
- Ministro da Agricultura diz que setor vai ter “maior orçamento de sempre”
- Lucros da EDP aumentam 22% e atingem 1.191 ME até setembro
- APA garante que paragem automática do reator de Almaraz não justifica medidas adicionais em Portugal
Sofia Santos PhD CEO da Systemic Sphere
A capacidade de uma economia crescer e criar bem-estar depende também da forma como se prepara para um clima em mudança, sobretudo quando os investimentos realizados hoje continuarão a servir as empresas e as populações durante várias décadas. Esta dependência exige que a adaptação seja assumida como uma responsabilidade de governação, com escolhas sobre o que proteger, onde investir e como repartir os custos de reduzir a vulnerabilidade.
É por isso que a adaptação climática tem de entrar nas decisões económicas e financeiras, incluindo na forma como o Estado planeia os investimentos e antecipa despesas futuras. Os danos nas infraestruturas, a pressão sobre os serviços públicos e os apoios à recuperação das empresas e das famílias podem afetar as contas públicas, razão pela qual os ministérios das Finanças devem tratar o risco climático como risco orçamental e integrar a prevenção na gestão da despesa.
A proposta de Lei Europeia da Resiliência Climática, apresentada pela Comissão Europeia em 27 de outubro de 2026 e ainda sujeita à aprovação do Parlamento Europeu e do Conselho, procura dar coerência a esta resposta. Prevê avaliações nacionais de risco até junho de 2029 e planos de resiliência até dezembro de 2030, revistos de cinco em cinco anos, com uma autoridade de coordenação e entidades públicas responsáveis pela gestão dos principais riscos.
O planeamento deverá considerar uma trajetória de referência de aquecimento global de 2°C até 2050 e 3°C até ao final do século, face aos níveis pré-industriais, mantendo-se essencial reduzir emissões. Os planos deverão identificar necessidades de investimento, fontes de financiamento e medidas com calendários de execução, enquanto a proposta incentiva a integração dos riscos climáticos na orçamentação, no ordenamento do território e nas avaliações ambientais.
Para Portugal, exposto ao calor e à escassez de água, esta orientação deve traduzir-se numa avaliação das condições em que uma estrada ou um hospital terão de funcionar durante a sua vida útil, antes de comprometer recursos públicos. Avaliar o investimento apenas pelos custos de construção, sem considerar a exposição a cheias, ao calor ou à escassez de água, pode conduzir a despesas adicionais e à interrupção de serviços precisamente quando as populações mais precisam deles.
Embora a proposta não imponha diretamente obrigações às empresas, considero que as administrações devem incorporar estes riscos na estratégia, estimando perdas potenciais, avaliando fornecedores e reservando recursos para a adaptação. Esta preparação pode abrir oportunidades na eficiência hídrica, na climatização e na construção resiliente, desde que o investimento proteja igualmente as comunidades mais vulneráveis.
Portugal deve aproveitar a proposta para associar os planos de adaptação ao Orçamento do Estado e às decisões de investimento empresarial, prevendo responsabilidades e financiamento para medidas que reduzam perdas e protejam a continuidade da atividade económica.
- Conselho da UE aprova adiamento das regras do metano para não impactar segurança energética
- Abandono dos combustíveis fósseis pode travar aquecimento global até 2050
- EDP revê em alta metas financeiras para 2026 e prevê lucros até 1.500 ME
- Ministro da Agricultura diz que setor vai ter “maior orçamento de sempre”
- Lucros da EDP aumentam 22% e atingem 1.191 ME até setembro
- APA garante que paragem automática do reator de Almaraz não justifica medidas adicionais em Portugal