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Abandono dos combustíveis fósseis pode travar aquecimento global até 2050
Um novo estudo conclui que medidas como redução das emissões de metano e de outros poluentes climáticos de curta duração são necessárias para regressar a níveis abaixo de 1,5 °C até 2100.
06 Nov 2026 - 11:56
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O abandono rápido dos combustíveis fósseis, acompanhado de cortes nas emissões de metano e de outros poluentes, poderá permitir travar o aquecimento global até 2050, num pico de 1,7 °C, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira pela Climate Analytics, antes da COP31.
A investigação, intitulada The role of short-lived climate forcers in limiting overshoot and returning warming significantly below 1.5°C, conclui que a combinação destas medidas poderá reduzir para metade o ritmo de aquecimento durante a década de 2030, dando mais tempo às comunidades e aos ecossistemas para se adaptarem aos impactos das alterações climáticas. Só a redução direcionada dos poluentes climáticos de curta duração poderia abrandar o aquecimento em cerca de 12% até 2035.
De acordo com o estudo, o metano é o poluente cuja redução proporciona os maiores benefícios em termos de temperatura. Além das emissões provenientes da produção de combustíveis fósseis, cuja redução continua a ser importante durante o processo de transição energética, os setores da agricultura e dos resíduos apresentam oportunidades significativas de mitigação a médio e longo prazo.
No entanto, o estudo alerta que nem o abandono dos combustíveis fósseis nem a redução dos poluentes climáticos de curta duração são suficientes, isoladamente, para fazer regressar o aquecimento global a níveis inferiores a 1,5 °C ainda neste século.
No cenário mais ambicioso, a combinação do abandono rápido dos combustíveis fósseis com cortes profundos nas emissões de poluentes climáticos de curta duração, medidas no uso do solo, remoção de carbono e redução de outros gases com efeito de estufa poderá limitar o aquecimento a aproximadamente 1,6 °C no início da década de 2040. As temperaturas poderão depois diminuir para cerca de 1,2 °C até 2100.
“Travar o aquecimento global continua a ser possível, mas não há atalhos. A redução das emissões de metano e de outros poluentes de curta duração pode abrandar imediatamente o aquecimento, mas não substitui o abandono dos combustíveis fósseis”, afirma Anna Kanduth, analista sénior de política climática da Climate Analytics e coautora do relatório, em comunicação.
O relatório destaca ainda que a redução adicional das emissões de metano não consegue compensar uma transição mais lenta para o abandono dos combustíveis fósseis.
As conclusões são divulgadas numa altura em que os governos se preparam para reunir na COP31, em Antália, na Turquia. Segundo a análise, as decisões tomadas até ao fim desta década serão “determinantes para definir o pico de aquecimento global” e o tempo durante o qual o planeta permanecerá acima de 1,5 °C.
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