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Quase 200 organizações e empresas pedem à UE plano para abandonar combustíveis fósseis

De acordo com a T&E, a segunda crise dos combustíveis fósseis, em apenas quatro anos, acrescentou mais de 50 mil milhões de euros à fatura energética da Europa para famílias e empresas. 

28 Ago 2026 - 06:24

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Foto: Unsplash

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A associação T&E (Transports and Environment) e outras 197 organizações e empresas europeias enviaram uma carta à Comissão Europeia a apelar à elaboração de um “relatório independente e baseado na ciência” que apresente uma visão estratégica para o abandono dos combustíveis fósseis. 

Na carta, intitulada “Tornar esta crise dos combustíveis fósseis a última da Europa”, as organizações começam por referir que os europeus estão a pagar duas vezes pela dependência continuada da União Europeia dos combustíveis fósseis. Por um lado, através dos custos energéticos mais elevados e, por outro, pelos impactos humanos e económicos da crise climática.

Esta carta foi endereçada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a 25 de agosto.

De acordo com a T&E, a segunda crise dos combustíveis fósseis, em apenas quatro anos, acrescentou mais de 50 mil milhões de euros à fatura energética da Europa para famílias e empresas. 

Os signatários salientam ainda que as sucessivas ondas de calor registadas desde maio provocaram temperaturas recorde, incêndios devastadores e secas severas em várias zonas do continente.

Segundo as organizações, a dependência dos combustíveis fósseis tem “prejudicado a prosperidade europeia e limitado a capacidade da Europa de agir no mundo”. Enquanto esta dependência se mantiver, os cidadãos europeus continuarão expostos a choques de preços e a decisões geopolíticas tomadas fora da Europa, argumentam.

“Para definir o futuro do mercado único e a competitividade da Europa, a Comissão Europeia encomendou relatórios independentes de referência que colocaram estas questões no topo da agenda da UE. A independência da Europa face à energia fóssil exige agora a mesma ambição”, lê-se na carta.

Assim, a carta defende que o relatório de abandono dos combustíveis fósseis deverá ser liderado por uma “personalidade independente de reconhecido mérito” e desenvolvido em colaboração com a academia, a sociedade civil, os parceiros sociais e as empresas.

O objetivo é que o documento apresente uma visão estratégica comum para o resto do mandato da Comissão Europeia e defina um plano de saída dos combustíveis fósseis assente em cinco prioridades.

A primeira prioridade passa por quantificar o impacto económico e financeiro total da dependência dos combustíveis fósseis. Para isso, as organizações pedem que seja determinado “quanto os combustíveis fósseis retiram todos os anos às famílias, à indústria e aos orçamentos públicos”, incluindo os custos de importação, a exposição a choques de preços, os impactos na saúde e no ambiente, bem como os danos provocados pelas alterações climáticas. 

Além disso, outra das prioridades passa por definir a saída mais rápida e competitiva dos combustíveis fósseis. As organizações defendem a identificação, setor a setor, das áreas onde a dependência é mais crítica e a definição de um caminho para a eliminação progressiva destes combustíveis, assente em soluções já comprovadas, como as energias renováveis, a eficiência energética, a economia circular, redes elétricas modernas e flexibilidade energética limpa.

O plano deverá ainda garantir cadeias de abastecimento seguras para as matérias-primas críticas de que depende a indústria europeia.

Outra das prioridades consiste em alinhar o financiamento com a saída dos combustíveis fósseis. As organizações querem identificar onde o financiamento, os subsídios e a despesa da UE e dos Estados-Membros continuam a prolongar esta dependência e definir formas de direcionar esses recursos para a sua eliminação progressiva. 

A carta defende ainda a necessidade de garantir uma transição justa, através da identificação dos mecanismos de governação e do apoio financeiro necessários para assegurar que as famílias vulneráveis, os trabalhadores, as empresas e as regiões afetadas recebem o apoio necessário.

Neste sentido, as organizações consideram ainda que as estruturas representativas dos trabalhadores devem estar “no centro da definição desta transição”.

Por fim, as organizações querem “fazer da natureza uma aliada e a primeira linha de defesa contra as alterações climáticas”, através do reforço do investimento em soluções naturais, como florestas e zonas húmidas. 

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