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Ursula von der Leyen: conflito no Médio Oriente é prova da “dependência excessiva dos combustíveis fósseis” da UE
Presidente da Comissão Europeia defende aceleração da transição para energia limpa e produzida na Europa numa altura em que petróleo e gás sobem nos mercados internacionais.
06 Mar 2026 - 14:09
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Ursula Von der Leyen | Foto: Comissão Europeia
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Ursula Von der Leyen | Foto: Comissão Europeia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou nesta sexta-feira para os riscos de a Europa continuar “excessivamente” dependente de combustíveis fósseis, numa altura em que a escalada de tensões no Médio Oriente volta a provocar forte volatilidade nos mercados energéticos.
“Hoje, o sistema energético europeu é mais limpo, muito mais diversificado e muito mais estável do que há alguns anos. No entanto, os desenvolvimentos no Médio Oriente lembram-nos mais uma vez os riscos de continuarmos a depender excessivamente dos combustíveis fósseis”, escreveu numa publicação na rede social X.
O aviso surge num momento em que os preços da energia voltam a subir. O petróleo registou aumentos superiores a 10% nos mercados internacionais, enquanto o gás natural europeu teve subidas ainda mais acentuadas, refletindo os receios de que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão possa afetar o fornecimento global.
As declarações foram divulgadas no mesmo dia em que a Comissão Europeia realizou um debate de orientação sobre os preços da energia com o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol. A reunião já estava prevista antes da atual escalada militar, mas acabou por decorrer num contexto de renovada pressão sobre os mercados energéticos.
Perante este cenário, von der Leyen defende que a União Europeia deve acelerar a transição energética e reforçar a produção interna de energia. “Devemos continuar a melhorar o funcionamento do nosso mercado energético, atraindo mais investimentos em tecnologias limpas e avançando com a transição para uma energia limpa e produzida internamente”, declarou.
Segundo a presidente da Comissão, esta estratégia é essencial não apenas para reduzir a vulnerabilidade a crises externas, mas também para garantir segurança energética, preços mais acessíveis e maior competitividade económica no espaço europeu.
Apesar da subida dos preços, as autoridades europeias garantem que, para já, não há perturbações no abastecimento. Peritos do Grupo de Coordenação do Gás da União Europeia indicaram nesta semana que o fornecimento ao bloco comunitário permanece “estável” e que não existem impactos imediatos na segurança energética.
Ainda assim, Bruxelas prometeu acompanhar com atenção a evolução da situação no Médio Oriente. A região continua a ser central para o sistema energético mundial, e qualquer perturbação significativa na produção ou no transporte de petróleo e gás, em particular em rotas estratégicas como o estreito de Ormuz, poderá ter repercussões diretas nos preços pagos pelos consumidores e pela indústria europeia.
A última vez que os mercados energéticos sofreram um choque desta dimensão foi em fevereiro de 2022, com a invasão russa da Ucrânia. Os preços do gás natural chegaram então a níveis recorde na Europa. Quatro anos depois, a estabilidade que os mercados foram gradualmente recuperando, com uma nova capacidade de GNL prevista até ao final da década, pode ser posta em causa pela escalada no Médio Oriente.
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