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UE garante abastecimento de gás “estável” enquanto tráfego de petroleiros cai 90% no estreito de Ormuz
Ataque ao Qatar paralisou a maior fábrica de GNL do mundo, levando a subida de 70% no TFF holandês. AIE convocou reunião de emergência.
04 Mar 2026 - 19:01
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Foto: Freepik
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O mundo acordou em março de 2026 para a possibilidade de uma perturbação energética de escala histórica. O tráfego de petroleiros no estreito de Ormuz já terá caído 90% nesta semana, adiantou o serviço de rastreamento MarineTraffic nesta quarta-feira, depois de o Irão ter fechado a passagem em resposta aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel. Depois de uma reunião extraordinária, a Direção-Geral da Energia da União Europeia (UE) adiantou que “o abastecimento de gás está estável”, na rede social X.
A publicação reforça que, “atualmente, não há impacto direto na segurança de abastecimento de gás da UE”. Tanto a Comissão Europeia como a Agência Internacional de Energia (AIE) dizem “continuar a acompanhar de perto a situação” no Médio Oriente. A agência referiu, na sua página oficial, estar especialmente atenta “a potenciais implicações de quaisquer perturbações prolongadas nos fluxos de energia através do estreito de Ormuz”.
A reunião extraordinária, convocada pelo diretor executivo da AIE, Fatih Birol, surge numa altura em que a segurança energética da Europa pode ser implicada pela rápida escalada do conflito.
Sobre a situação no estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o analista da Kpler Matt Wright esclarece: “Ao contrário de vários outros segmentos de embarcações, cujos movimentos cessaram em grande parte, alguns petroleiros ainda estão a viajar para leste e oeste através do estreito, com várias viagens a ocorrerem sob apagões AIS” (sigla inglesa para sistemas de identificação automática).
Qatar interrompe produção
Desde o início das hostilidades no Médio Oriente, o barril de Brent subiu 12% em apenas quatro dias, entre 27 de fevereiro e 3 de março, enquanto o TTF holandês, referência europeia para o gás natural, disparou mais de 70%. A 2 de março, a instalação de Ras Laffan, no Qatar, foi alvo de um ataque pelo Irão que forçou a paragem da produção.
Ras Laffan, da empresa QatarEnergy, é a maior fábrica de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, tendo produzido em 2025 cerca de 112 mil milhões de metros cúbicos de GNL, além de 300 mil barris por dia de gás de petróleo liquefeito e 180 mil barris diários de condensados, identifica a AIE.
Os países que dependem do estreito de Ormuz são os maiores produtores da região: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, Iraque, Bahrein e Irão. À exceção da Arábia Saudita e dos EAU (que dispõem de oleodutos com capacidade para desviar entre 3,5 e 5,5 milhões de barris diários), todos os outros dependem desta rota para escoar as suas exportações de petróleo.
Cerca de 80% do petróleo que atravessa o estreito tem como destino a Ásia, assim como quase 90% do GNL. A Europa recebe uma fatia menor, pouco mais de 10% do GNL, mas as consequências de um bloqueio prolongado seriam globais. A AIE explica: “países que têm contratos de longo prazo com os Emirados Árabes Unidos ou o Qatar teriam de recorrer ao mercado ‘spot’ de GNL. Isto, por sua vez, faria subir os preços do gás natural em todo o mundo”.
Reservas estratégicas com mais de 1,2 mil milhões de barris
A AIE sublinha que os seus países membros dispõem de mais de 1,2 mil milhões de barris em reservas públicas de emergência, aos quais se somam cerca de 600 milhões de barris de ‘stocks’ industriais, detidos sob obrigação governamental. Os inventários globais de petróleo subiram em 2025 para mais de 8,2 mil milhões de barris, o valor mais alto desde 2021, o que confere alguma margem de segurança.
A última vez que os mercados energéticos sofreram um choque desta dimensão foi em fevereiro de 2022, com a invasão russa da Ucrânia. Os preços do gás natural chegaram então a níveis recorde na Europa. Quatro anos depois, a estabilidade que os mercados foram gradualmente recuperando, com uma nova capacidade de GNL prevista até ao final da década, pode ser posta em causa pela escalada no Médio Oriente.
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