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Portugal com potencial para ser hub de agricultura regenerativa no sul da Europa

Diversidade de climas, solos e sistemas produtivos não são acompanhados pelo peso da agricultura no valor acrescentado bruto nacional, segundo uma nova análise que identifica nesta lacuna um potencial de rentabilização.

25 Mai 2026 - 16:01

4 min leitura

Foto: Magnific

Foto: Magnific

A combinação de diversidade ecológica, preços de terra ainda competitivos e urgência climática abre uma janela de oportunidade para Portugal se posicionar como hub regenerativo no Sul da Europa até 2030, à medida que os mercados de carbono, biodiversidade e água ganham escala. A conclusão é apontada por um novo estudo da Savills, que será apresentado nesta terça-feira, em Évora.

Apesquisa “O Ativo Vivo – Reconstruir o Capital Natural de Portugal através da Agricultura Regenerativa” descreve Portugal como um “mercado paradoxal”. Isto porque possui grande diversidade de climas, solos e sistemas produtivos, mas a agricultura pesa menos de 3% do valor acrescentado bruto nacional. Essa distância entre potencial ecológico e contributo económico é precisamente o espaço onde o investimento regenerativo pode atuar, valorizando ativos subaproveitados e recuperando a base ecológica da produção, avança o relatório.

“Estamos a assistir a uma reconfiguração profunda da forma como a terra agrícola é avaliada. Já não basta olhar para o rendimento das culturas. A saúde do solo, a água e a biodiversidade tornaram-se variáveis financeiras tão relevantes quanto as tradicionais”, refere Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, que acrescenta ainda que “Portugal tem aqui uma oportunidade de alinhar performance económica e ambiental numa mesma classe de ativos”.

Agricultura em transformação

O estudo sublinha para uma mudança estrutural na agricultura europeia. Nomeadamente, que os modelos extrativos estão a dar lugar a sistemas que regeneram solo, água e biodiversidade. Nesta linha, a análise antecipa cinco dinâmicas para a próxima década: resiliência climática como fator de desempenho, integração do capital natural nas avaliações, procura crescente por produtos sustentáveis, maior especialização regional e generalização da monitorização das práticas regenerativas.

No plano financeiro, a Savills refere que terra agrícola em Portugal pode gerar retornos anuais entre 5% e 7%, acima dos 3% típicos dos ativos imobiliários de alta segurança (super core), salientando que, cada vez mais, os investidores reconhecem que a saúde do solo, a disponibilidade de água e a biodiversidade deixaram de ser apenas critérios ambientais para se tornarem indicadores centrais de estabilidade e valorização a longo prazo, com impacto no acesso a financiamento verde e no cumprimento de objetivos ESG (sigla para ambiental, social e governação) e de investimento de impacto.

A dimensão política é outro pilar desta evolução. Apesar do enquadramento da PAC e do PEPAC, a agricultura regenerativa só beneficia parcialmente dos apoios existentes, refere a análise. Estima-se que entre 40% e 60% da área cultivada em Portugal integre pelo menos uma prática regenerativa, mas apenas 10% a 15% opere num regime verdadeiramente integrado.

“As práticas regenerativas representam um avanço significativo para a agricultura, sendo provavelmente a evolução mais relevante desde a introdução dos fertilizantes químicos”, destaca Bruno Amaro, rural business developer da Savills Portugal. Na sua perspetiva, o país “tem assumido um papel de destaque na sua implementação”, citando o amendoal como uma das culturas “onde os resultados têm sido mais expressivos”.

Designadamente porque em menos de uma década Portugal se tornou o terceiro maior exportador líquido mundial, apoiado nos perímetros de rega do Alqueva e de Idanha-a-Nova. “O capital internacional que acompanhou este crescimento aumentou também a pressão sobre água e solos, tornando as práticas regenerativas decisivas para proteger o investimento”, refere a Savills.

Para além desta situação, o estudo olha também para o mapa do país e identifica várias zonas com maior potencial para escalar modelos regenerativos, saber, Alentejo, Oeste, Douro, Ribatejo e Açores.

 

 

 

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