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Desinformação climática dispara em julho na União Europeia
Segundo o Observatório Europeu dos Media Digitais, o tema ocupa agora o terceiro lugar entre os assuntos mais visados por notícias falsas. Os verões com ondas de calor tendem ainda a gerar mais desinformação.
27 Ago 2026 - 06:26
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A desinformação sobre alterações climáticas registou em julho o seu maior aumento do ano na União Europeia, impulsionada pelas ondas de calor e pelos incêndios que assolaram o sul do continente, revela o mais recente relatório mensal do Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO, na sigla original).
Segundo o relatório, as 30 organizações de verificação de factos que integram a rede EDMO na UE e na Noruega publicaram 1.397 artigos de fact-checking em julho. Deste total, cerca de 7% dos artigos diziam respeito a desinformação sobre clima, com um aumento de três pontos percentuais face a junho, a subida mais acentuada entre todos os tópicos monitorizados no mês.
O tema passou assim a ocupar o terceiro lugar na lista de assuntos mais visados por notícias falsas, atrás apenas da guerra na Ucrânia (8%) e da imigração (8%).
O relatório associa este pico a um padrão sazonal já conhecido. De acordo com o observatório, os verões marcados por ondas de calor tendem a gerar mais desinformação climática. Este ano, os incêndios em Espanha e França serviram para “disseminar” a narrativa de que os fogos teriam sido “provocados deliberadamente para abrir caminho a parques de energias renováveis, urbanizações ou instalações solares”, lê-se no relatório.
A esta, juntaram-se ainda outras formas de negacionismo como comparações enganosas com temperaturas elevadas registadas nos anos 50 para pôr em causa a existência das alterações climáticas e o discurso da “histeria climática”, que reduz a vaga de calor a um simples verão quente.
O relatório alerta ainda para teorias alternativas, como a atribuição do calor ao “efeito de ilha de calor urbana” em vez das emissões de CO2, ou “negacionismo” relacionado à ligação entre as emissões humanas e o aquecimento global.
Fora da UE, o mesmo fenómeno repetiu-se, em vários países dos Balcãs circularam teorias que atribuíam tempestades na Macedónia do Norte e a onda de calor em França, Itália e Espanha ao programa norte-americano HAARP.
O relatório conclui ainda que esta desinformação recorreu de “forma recorrente” a imagens retiradas do contexto para exagerar os efeitos das temperaturas elevadas.
Neste sentido, o relatório revelou ainda que muitas das notícias avaliadas se faziam acompanhar de imagens falsas ou manipuladas por Inteligência Artificial (AI), como fotografias de semáforos alegadamente “a derreter” em Itália e na Alemanha, que se tornaram uma das cinco notícias falsas com maior circulação na Europa durante o mês.
O EDMO sublinha também que a subida da desinformação climática em julho “não é um fenómeno isolado”, mas sim consistente com os picos registados noutros períodos de calor extremo, na União Europeia.
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