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Europa vai precisar de 34 mil quilómetros de novos cabos de transporte de eletricidade até 2035

ENTSO-E alerta para um pico simultâneo da procura de equipamentos para redes elétricas entre 2028 e 2032, que poderá colocar pressão sobre as cadeias de abastecimento, a capacidade industrial e a disponibilidade de mão de obra qualificada.

06 Nov 2026 - 13:41

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Foto Freepik

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A Europa vai precisar de instalar cerca de 34 mil quilómetros de novos cabos de transporte de eletricidade em corrente contínua de alta tensão (HVDC, na sigla inglesa) até 2035, dos quais mais de 22 mil quilómetros serão subterrâneos e perto de 12 mil quilómetros submarinos. A expansão da rede elétrica europeia exigirá também 119 novas estações conversoras HVDC, face às atuais 38, bem como muitas outras componentes técnicas. Estas são algumas das previsões avançadas pelo novo Relatório de Avaliação do Investimento nas Redes de Transporte de Eletricidade e das Cadeias de Abastecimento 2026, publicado pela ENTSO-E, a rede europeia dos operadores das redes de transporte de eletricidade, onde se inclui a portuguesa REN.

O documento analisa as necessidades de investimento dos operadores europeus entre 2026 e 2035 e identifica três fatores que vão aumentar simultaneamente a procura de equipamentos. Nomeadamente, a transição energética, a eliminação progressiva do gás hexafluoreto de enxofre (SF₆), ao abrigo da regulação europeia, e a substituição de inúmeros equipamentos instalados nas décadas de 1980 e 1990.

Segundo a ENTSO-E conclui no relatório, esta convergência de deverá provocar um pico de procura em quase todas as categorias de equipamentos entre 2028 e 2032, colocando pressão sobre os fabricantes, as cadeias de abastecimento e a capacidade de resposta da indústria europeia, numa altura em que a mão de obra especializada também escasseia.

A ENTSO-E alerta que a concretização destes investimentos depende da capacidade de resposta da indústria, defendendo que os fabricantes precisam de ter previsibilidade sobre a procura a longo prazo para decidirem os seus investimentos. O desafio estende-se também aos fornecedores de segundo e terceiro níveis das cadeias de abastecimento. “Os fabricantes precisam de sinais credíveis de procura a longo prazo antes de investirem em novas linhas de produção, fábricas e contratação de trabalhadores qualificados”, refere a rede de operadores.

A disponibilidade de mão de obra qualificada é uma das principais preocupações identificadas por vários operadores europeus, que defendem uma resposta coordenada a nível do setor.

Para evitar constrangimentos, o relatório recomenda aos fabricantes que ajustem a capacidade produtiva às necessidades previstas e partilhem as perspetivas de procura com os seus fornecedores. Já aos operadores das redes de transporte, pede maior cooperação na harmonização dos requisitos técnicos e no planeamento das infraestruturas a longo prazo.

Por fim, a ENTSO-E defende também que os decisores políticos utilizem os dados do presente relatório para orientarem medidas de política industrial, licenciamento e formação profissional, concentrando os recursos nas áreas onde possam ter maior impacto.

 

 

 

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