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APA garante que paragem automática do reator de Almaraz não justifica medidas adicionais em Portugal
A Agência Portuguesa do Ambiente refere que não existem consequências identificadas para a população ou o ambiente em território nacional e mantém a monitorização da situação e dos níveis de radioatividade. Em agosto, a central nuclear recebeu autorização para prolongar a atividade até 2030.
06 Nov 2026 - 07:44
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Central Nuclear de Almaraz | Foto Wikimedia
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Central Nuclear de Almaraz | Foto Wikimedia
O reator da Unidade I da central nuclear de Almaraz, em Espanha, parou automaticamente na manhã de 5 de novembro, na sequência da ativação de um sistema de proteção elétrica. A ocorrência foi classificada no nível 0 da Escala Internacional de Ocorrências Nucleares e Radiológicas (INES), sem significado para a segurança nuclear ou radiológica, segundo o regulador espanhol. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) mantém o acompanhamento, mas considera que, com a informação disponível, a situação “não apresenta consequências para Portugal que justifiquem medidas adicionais de proteção da população ou do ambiente”.
Segundo uma nota divulgada pela APA no final da noite de quinta-feira, “os sistemas de proteção atuaram conforme previsto e a unidade encontra-se em condições de paragem segura”. A paragem ocorreu pelas 10h29, hora de Espanha (09h29 em Portugal continental), quando a unidade se encontrava a operar.
A APA explica que a paragem “foi desencadeada pela atuação das proteções da turbina principal, na sequência da ativação de uma proteção elétrica do transformador principal. A causa dessa ativação permanece em investigação, estando o operador a realizar as verificações necessárias aos equipamentos envolvidos”.
A APA refere que, através do Departamento de Emergências e Proteção Radiológica, mantém o acompanhamento da situação, incluindo os resultados da investigação e as informações adicionais divulgadas pelo regulador espanhol.
Em paralelo, refere que assegura a monitorização permanente dos níveis de radiação ambiental no território nacional através da Rede Nacional de Alerta de Radioatividade no Ambiente (RADNET), cujos dados estão disponíveis para consulta pública.
Por fim, a agência portuguesa refere que divulgará informação adicional sempre que existam desenvolvimentos relevantes.
Atividade prolongada até 2030
Recorde-se que, em agosto passado, o Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico (MITECO) de Espanha anunciou que prolongou a renovação da autorização de funcionamento da central nuclear de Almaraz até 2030, justificando a medida com a instabilidade dos preços do gás provocada pela crise no Médio Oriente.
O calendário previa o encerramento da Unidade I em novembro de 2027 e da Unidade II em outubro de 2028. A central fornece eletricidade a cerca de 4 milhões de lares e garante 4000 postos de trabalho.
De salientar que esta é a central nuclear mais próxima de Portugal, estando localizada a cerca de 100 km da fronteira portuguesa.
Na altura, o Governo português referiu de mecanismos para contestar a decisão do Governo espanhol de autorizar o prolongamento da atividade da central nuclear de Almaraz.
“Nós pedimos explicações, pedimos informação. Não temos nenhum meio de contestar esta decisão, nem pelos tratados internacionais, nem pela Convenção de Espoo. Esta decisão não deu lugar a um estudo de impacto ambiental, portanto, não seremos envolvidos nesta decisão”, afirmou em agosto a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho.
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