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Portugal entre os 10 países com maior quota de eólica e solar na produção de eletricidade em 2031

O país deverá atingir uma quota de cerca de 31% na produção eólica e de 27% na solar fotovoltaica. Agência Internacional de Energia indica que o mundo está a viver um “novo capítulo da história de crescimento das renováveis”. Renováveis vão representar metade da produção e eletricidade a nível global dentro de cinco anos

06 Nov 2026 - 06:42

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Foto Magnific

Wind turbines rise behind a solar farm with yellow wildflowers in the foreground under a clear blue sky.] ,

Foto Magnific

Portugal integra o grupo dos 10 países onde as energias solar e eólica terão maior peso na produção de eletricidade em 2031. Mas especificamente, o país ocupa o nono lugar no top 10 da energia eólica, onde sobe de cerca de 27%, em 2025, para cerca de 31%, em 2031. Já na solar fotovoltaica, Portugal ocupa o 10 lugar da tabela, passando de cerca de 17% em 2025 para cerca de 27% de produção em 2031, segundo a leitura do gráfico.

Os dados constam do novo relatório “Renewables 2026”, lançado nesta sexta-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE).

De salientar que, na eólica, a Lituânia lidera com 61%, à frente da Dinamarca (57%), e Irlanda, Reino Unido e Alemanha ultrapassam os 40%. Já na energia solar, a liderança é da Hungria, com 41% em 2031, seguida da Grécia (39%) e do Chile (38%).

O relatório prevê ainda que Portugal, tal como outros países europeus, ultrapasse os 55% de renováveis variáveis (solar e eólica) no mix elétrico em 2031.

A capacidade mundial de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis deverá crescer quase 4800 gigawatts (GW) entre 2026 e 2031, aproximando estas fontes de metade da geração global de eletricidade. Trata-se de mais 60% do que o acréscimo registado no período anterior de seis anos.

A energia solar fotovoltaica deverá representar mais de três quartos do crescimento da capacidade renovável mundial até 2031, seguida da energia eólica terrestre.

Gráfico: AIE

“O novo capítulo da história de crescimento das renováveis é verdadeiramente global, uma vez que a sua implantação se estende muito para além dos principais mercados, chegando a todos os cantos do mundo. Isto está a torná-las num pilar fundamental do setor elétrico mundial. Atualmente, representam um terço da produção mundial de eletricidade; nos próximos cinco anos, deverão aproximar-se de metade”, refere Fatih Birol, diretor executivo da AIE.

Segurança energética dispara desenvolvimento

O crescimento surge num contexto de perturbações “sem precedentes” nos mercados energéticos mundiais desde o início da guerra no Irão, no final de fevereiro. Também o reforço do apoio político e as crescentes preocupações com a segurança energética estão a impulsionar uma instalação mais rápida de capacidade renovável, segundo o relatório.

A China continuará a ser o principal contributo para o aumento mundial da capacidade de produção de eletricidade renovável, mas a sua quota deverá diminuir de mais de 60% em 2025 para uma média de 53% durante o período em análise, na sequência de alterações às políticas de energias renováveis do país.

A Índia está a afirmar-se como o segundo maior mercado de crescimento mundial, com a sua capacidade renovável total prevista para mais do que duplicar até 2031.

O crescimento também está a acelerar no Sudeste Asiático, no Médio Oriente, no Norte de África e na África Subsariana.

No conjunto destas regiões, prevê-se que a capacidade renovável instalada entre 2026 e 2031 quase triplique face ao período anterior de seis anos. Aliás, pela primeira vez, prevê-se que a capacidade renovável instalada nas economias emergentes e em desenvolvimento, excluindo a China, iguale a das economias avançadas durante o período abrangido pelas previsões.

“Anteriormente, as preocupações ambientais eram a prioridade política que impulsionava o crescimento das energias renováveis, cujos custos em queda as tornaram uma opção competitiva em muitos mercados. Hoje, porém, é sobretudo a segurança energética que está a impulsionar a expansão das renováveis, à medida que cada vez mais países procuram reduzir a sua exposição aos combustíveis importados”, afirma Fatih Birol.

Consumidores aderem às renováveis

O crescimento da capacidade renovável instalada não resulta apenas de grandes projetos promovidos por empresas de serviços públicos e promotores de energia. É também impulsionado diretamente pelos consumidores em muitos países.

Perante os preços elevados dos combustíveis e a falta de fiabilidade do fornecimento de eletricidade em alguns mercados, famílias e pequenas empresas de todo o mundo estão a recorrer cada vez mais a sistemas solares fotovoltaicos de cobertura, mais acessíveis e de instalação rápida. Estas pequenas instalações já contribuíram para melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de eletricidade de cerca de 70 milhões de famílias em todo o mundo, conclui o relatório.

O relatório prevê que a utilização de energias renováveis nos transportes aumente mais de 60% até 2031, ano em que deverá representar 6% das necessidades energéticas mundiais deste setor. A eletricidade renovável utilizada pelos veículos elétricos será responsável por cerca de 45% deste aumento, enquanto os biocombustíveis darão o segundo maior contributo.

Em resposta imediata aos preços elevados dos combustíveis e às dificuldades de abastecimento, vários países, sobretudo no Sudeste Asiático e na América Latina, aumentaram as quotas obrigatórias de incorporação de biocombustíveis, que estabelecem a proporção mínima destes combustíveis a misturar na gasolina ou no gasóleo vendidos nos postos de abastecimento. A previsão da AIE para os biocombustíveis foi revista em alta em 40% face ao relatório do ano passado.

India emerge como exportadora de tecnologia limpa

O relatório destaca também a importância de cadeias de abastecimento seguras e diversificadas, à medida que as energias renováveis assumem um papel cada vez mais relevante nos sistemas energéticos mundiais.

A Índia está a emergir como uma importante fonte alternativa de abastecimento, prevendo-se que a sua quota na produção mundial de módulos solares fotovoltaicos quase duplique, atingindo 17% nos próximos cinco anos. Esta evolução contribuirá para diversificar um mercado que continua altamente concentrado.

À medida que a energia solar fotovoltaica e a eólica continuam a expandir-se rapidamente em todo o mundo, o reforço da flexibilidade dos sistemas elétricos torna-se fundamental para a segurança energética, criando também novas oportunidades, destaca a AIE.

“A prioridade máxima para os países é garantir que o investimento nas redes elétricas acompanha o crescimento da capacidade renovável. Este esforço deverá ser complementado por reformas que acelerem a ligação das novas instalações de produção renovável às redes elétricas”, destaca a agência.

A capacidade dos projetos de energias renováveis e de armazenamento em fase avançada de desenvolvimento que aguardam ligação à rede aumentou 60% no último ano, atingindo 3000 GW em todo o mundo. Este valor equivale a quatro vezes a capacidade eólica e solar fotovoltaica ligada à rede no ano passado.

Também a instalação de sistemas de armazenamento em baterias está a acelerar em muitos países, constituindo uma forma importante de aumentar rapidamente a flexibilidade dos sistemas elétricos.

 

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