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Há um confronto geracional entre os novos profissionais de sustentabilidade?
Vivemos verdadeiros desafios em matérias de sustentabilidade e, no entanto, não existe uma única estratégia coordenada que torne prioridade a passagem de conhecimento entre gerações. Por Gabriela Maciel, project manager da Green Gen
12 Jun 2026 - 06:00
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Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade
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Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade
À medida que os Millennials entravam no mercado de trabalho, foram-se multiplicando os artigos, livros e debates sobre os confrontos com as gerações anteriores. Mas com a chegada da Geração Z ao contexto profissional, e em breve da Geração Alpha, há um novo confronto a emergir silenciosamente entre as gerações mais jovens, até na sustentabilidade.
Tendemos a ver a geração a que pertencemos como a única que compreende o contexto, a que teve as vivências mais marcantes e a que experienciou os maiores marcos históricos. Por esse motivo, tendemos também a menosprezar as gerações anteriores, e as vindouras. Por um lado, não compreendemos as gerações antes de nós pois a falácia do cronocentrismo (Jib Fowler) faz-nos acreditar que o tempo que vivemos é maior em importância e impacto; por outro, temos dificuldade em dialogar com as gerações futuras pois sabemos que acabarão por experienciar a alegoria da vedação (G. K. Chesterton) e, por não compreenderem porque colocámos certas vedações no passado, quererão removê-las.
No entanto, no que diz respeito à História recente, parece confirmar-se a ideia de que “o futuro era muito melhor antigamente” (Luís Fernando Veríssimo). A Geração X (1965-1980) cresceu num período marcado pelo crescimento exponencial da tecnologia e do consumo, alimentando uma visão otimista do futuro. Já os Millennials (1981-1996), marcados pela crise financeira de 2008 e pelo desemprego que se seguiu, vislumbraram um futuro menos promissor, passando a valorizar a estabilidade económica e a adotar uma cultura workaholic, ainda que a começar a procurar o work-life balance. Ao mesmo tempo desenvolveram uma postura mais crítica, questionando normas estabelecidas e exigindo maior responsabilidade social e ambiental às empresas e instituições. Por sua vez, a Geração Z (1997-2009) herdou estas preocupações, agravadas pela fragilidade geopolítica, climática e democrática e, enquanto nativa digital, transformou as redes sociais não só em espaços de consumo, como de expressão, debate e mobilização coletiva. O ativismo digital surgiu, por isso, como uma nova abordagem às causas sociais, achatando hierarquias, aumentando o escrutínio e, assim, exigindo maior transparência. Contudo, as redes sociais conduziram também à fragmentação dos grupos, à fadiga digital e a uma crescente nostalgia por um passado recente, aparentemente mais fácil e mais simples.
Atualmente, vivemos verdadeiros desafios em matérias de sustentabilidade e, no entanto, não existe uma única estratégia coordenada que torne prioridade a passagem de conhecimento entre gerações, tanto na sociedade, como no mundo corporativo.
Quando acolhemos uma nova geração no local de trabalho, estamos a integrar o seu contexto também. E, talvez por estarmos ainda distraídos com o confronto geracional entre a Geração X e os Millennials, nos estejam a passar despercebidas as divergências entre as gerações mais jovens, Millennials e Geração Z, não apenas face ao trabalho, mas também face à abordagem na resolução de desafios ambientais e sociais.
Se, por um lado, os Millennials recordam a ascensão da narrativa da responsabilidade social corporativa, passando a valorizar empresas com propósito e impacto social, e a encarar a sustentabilidade como parte da reputação de uma organização, por outro, a Geração Z, que cresceu num contexto de crescente visibilidade da crise climática e de escrutínio das práticas empresariais, assume uma postura mais cética, exigindo ações concretas e maior transparência, mostrando uma forte vigilância ao greenwashing.
Estas diferenças de postura parecem também refletir-se na relação com o mercado de trabalho. Os Millennials tendem a considerar que as empresas e instituições continuam a ter um papel relevante na resposta à crise climática, enquanto a Geração Z parece atribuir maior peso ao indivíduo e às comunidades, locais e digitais, revelando simultaneamente menor identificação com as estruturas e dinâmicas tradicionais do meio corporativo.
Contudo, observa-se atualmente um green skills gap significativo, com impacto direto na capacidade de resposta das organizações. Assim, para que as empresas consigam responder aos desafios de reporting e de inovação em sustentabilidade, torna-se essencial a atração de talento verde.
Em que medida o ceticismo climático face a empresas ou instituições, a fadiga digital e a fragmentação devem ser entendidos como estados da fase de vida e, portanto, da idade, ou como linhas estruturais de uma geração? Estarão estes fenómenos associados a uma fase transitória de amadurecimento ou a uma transformação mais profunda na forma como as gerações vindouras percecionam e questionam a organização do mundo? E até que ponto este questionamento das estruturas tradicionais influencia a forma como se projetam futuros coletivos, de forma otimista, mas também eficaz?
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