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Acionistas travam recuo da BP na transparência climática
Investidores rejeitam redução de obrigações de reporte climático e sinalizam preocupações com transparência da nova liderança.
23 Abr 2026 - 16:27
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Albert Manifold, presidente da BP | Foto: BP
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Albert Manifold, presidente da BP | Foto: BP
A administração da petrolífera BP saiu fragilizada da sua assembleia geral anual, nesta quinta-feira, depois de os acionistas terem rejeitado duas propostas ligadas à divulgação de informação climática e à possibilidade de realizar reuniões gerais exclusivamente em formato digital, segundo o Financial Times.
As resoluções, que necessitavam de uma maioria qualificada de 75%, recolheram apenas 47% dos votos. Em causa estava a intenção da petrolífera britânica de revogar compromissos assumidos em 2015 e 2019 que obrigam à divulgação de dados sobre o impacto climático da sua atividade. A empresa argumentava que essas exigências se tornaram redundantes face às atuais obrigações legais de reporte.
A votação é interpretada como um sinal claro de que uma parte significativa dos investidores não está disponível para flexibilizar os compromissos de transparência numa fase crítica da transição energética.
A reunião ficou também marcada pela contestação à liderança do novo presidente, Albert Manifold, que assumiu o cargo em outubro passado. Segundo o jornal, a Legal & General Investment Management, um dos 10 maiores acionistas com cerca de 1,5% do capital, revelou preocupações de que Manifold estaria a reduzir a transparência da empresa e a dificultar a compreensão de como a BP pretende gerir os riscos da transição energética.
Outro ponto de tensão foi a decisão da BP de excluir uma proposta apresentada pelo grupo ativista Follow This, que questionava como a empresa de comportaria para preservar valor para os acionistas num cenário de queda da procura por petróleo e gás. O presidente justificou a exclusão com questões formais no processo de submissão. “Não há qualquer questão de bloquear o que quer que seja. Se uma resolução não for apresentada em conformidade com as regras, estamos legalmente obrigados a não a aceitar. Existem regras pelas quais todos nos regemos”, declarou.
Mark van Baal, diretor executivo da Follow This, afirmou que a derrota na votação sobre o relatório climático da BP demonstra que “os acionistas recusam deixar que a BP enterre discretamente os seus compromissos de reporte”.
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