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África vai triplicar capacidade de energia nuclear até 2030
Agência Internacional de Energia Atómica defende a necessidade de investir em fontes de energia limpas e estáveis, incluindo a nuclear, em África, tendo em conta que cerca de 500 milhões de africanos continuam sem acesso à eletricidade.
13 Out 2025 - 16:23
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Foto: Pixabay
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Líderes do setor energético de todo o mundo reuniram-se na cidade sul-africana de Durban para a primeira cimeira de alto nível do G20 dedicada à energia nuclear, num momento em que as projeções apontam para uma triplicação da capacidade nuclear africana até 2030.
O encontro foi organizado em conjunto pelo Departamento de Eletricidade e Energia da África do Sul e pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), com a presença de ministros da energia e representantes da Agência Internacional de Energia (AIE).
“O mundo, e especialmente África, reconhece cada vez mais a energia nuclear como uma fonte fiável, segura e acessível”, afirmou Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da AIEA, segundo o comunicado da AIEA divulgado nesta segunda-feira. “A AIEA está, e continuará a estar, pronta para apoiar África e o G20 na concretização deste potencial em progresso duradouro”, acrescentou.
De acordo com a AIE, cerca de 500 milhões de africanos continuam sem acesso à eletricidade, e até 2030 o continente representará 20% da população mundial, um dado que, segundo a AIEA, reforça a necessidade de investir em fontes de energia limpas e estáveis, incluindo a nuclear.
Atualmente, 31 países operam centrais nucleares, e cerca de 36 países adicionais estão a preparar infraestruturas ou a considerar a introdução desta forma de energia. O Egito está prestes a tornar-se o segundo país africano com produção nuclear, com a conclusão da central El Dabaa, enquanto o Bangladeche e a Turquia planeiam inaugurar as suas primeiras unidades nos próximos anos.
Durante a cimeira, Henri Paillere, chefe da Secção de Planeamento e Estudos Económicos da AIEA, apresentou a publicação’ Coal to Nuclear: Supporting a Clean Energy Transition’, que propõe a reconversão de antigas centrais a carvão em locais de produção nuclear, salientando tratar-se de uma estratégia que promove a criação de empregos, melhora a qualidade do ar e mantém a estabilidade das redes elétricas.
O encontro terminou com um debate sobre o papel da energia nuclear no futuro energético de África. As projeções da AIEA indicam que, no cenário mais otimista, a capacidade nuclear no continente aumentará dezasseis vezes até meados do século, em comparação com os níveis de 2024.
A nível global, no final de 2024 existiam 417 reatores nucleares operacionais, com uma capacidade total de 377 gigawatts elétricos (GW(e)). A AIEA prevê que esta capacidade mais do que duplique até 2050, com os reatores modulares de pequena dimensão (SMR) a desempenharem um papel decisivo nesta expansão.
“A energia nuclear representa uma oportunidade extraordinária para industrializar África e proporcionar uma vida melhor aos seus cidadãos”, afirmou Loyiso Tyabashe, diretor executivo da Corporação de Energia Nuclear da África do Sul.
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