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E-Redes prevê enterrar linhas para reforçar rede que ficou “mais frágil”
O presidente Ferrari Careto defende que o impacto da tempestade deve ser lido à luz do equilíbrio entre custo e risco na construção da rede elétrica ao longo de décadas.
27 Mai 2026 - 14:36
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O presidente da E-Redes disse, nesta quarta-feira, que a rede elétrica afetada pelo comboio de tempestades ficou “mais frágil” após reposições provisórias e que a empresa está agora focada em consolidar e aumentar a resiliência nas zonas atingidas.
“Privilegiámos muito a rapidez, o que quer dizer que parte das soluções que nós implementámos são soluções não definitivas”, afirmou José Ferrari Careto, presidente executivo da E-Redes, numa audição na Comissão de Ambiente e Energia, requerida pela Iniciativa Liberal, sobre a reposição de energia elétrica após a tempestade Kristin.
Segundo o responsável da empresa que opera a rede de distribuição de eletricidade em Portugal continental, “a rede ficou mais frágil do que estava”, depois de soluções provisórias adotadas para acelerar a reposição do fornecimento.
“Estamos agora apostados nessa consolidação, ou seja, repor como estava” e, aproveitando esse trajeto, “aumentar a resiliência através de alguns enterramentos, nomeadamente em relação a ter mais postes em alguns casos, reforçar a robustez dos cabos que estamos a instalar ou reforçar o telecomando”, acrescentou.
A empresa tem em curso soluções definitivas para aumentar a resiliência, incluindo o enterramento da linha de média tensão Marinha Grande-Vieira II, o enterramento da linha de alta tensão Ranha-Ortigosa-Pinheiros, em Leiria, e a alteração do percurso de uma linha de média tensão numa zona florestal da Sertã.
Na apresentação inicial, o responsável detalhou que a tempestade Kristin deixou um milhão de clientes sem energia elétrica no pico, em 28 de janeiro, tendo 60% sido repostos nas primeiras 24 horas.
José Ferrari Careto afirmou que, “neste momento”, a empresa está “100% dedicada” à consolidação das zonas afetadas pelo comboio de tempestades que assolou o país no início do ano, admitindo que a principal preocupação atual é a “disponibilidade de mão-de-obra para poder fazer essa recuperação em tempo”.
O presidente da E-Redes disse ainda que, “à data de hoje”, não há clientes sem fornecimento de eletricidade na sequência destas intempéries.
Ferrari Careto defendeu que o impacto da tempestade deve ser lido à luz do equilíbrio entre custo e risco na construção da rede elétrica ao longo de décadas.
“Sabemos que neste equilíbrio entre risco e custo houve um conjunto de decisões que foram sendo tomadas ao longo de muitos anos […] em que se privilegiou, em alguns casos, o custo, ou melhor, a ausência dele, ou, noutros casos, o risco, ou a resistência, ou a robustez da rede que havia a instalar”, afirmou.
O responsável sublinhou que “não há qualquer infraestrutura que esteja preparada ou alguma vez venha a estar preparada para qualquer evento”, mas admitiu que a E-Redes tem de retirar lições da Kristin.
A apresentação da empresa aponta para mais de 6.000 quilómetros de rede afetada, mais de 5.300 postes ou apoios, 8.700 postos de transformação de distribuição, 47 subestações com danos e 24 subestações sem alimentação.
Sobre o recurso a geradores durante a tempestade descrita como um evento de “dimensão sem precedentes”, Ferrari Careto disse que a falta destes equipamentos nunca foi um estrangulamento na reposição do serviço.
“Em altura alguma, o número de geradores disponíveis foi um estrangulamento na reposição do serviço”, afirmou, explicando que a empresa teve 500 geradores disponíveis no pico da crise e 470 instalados.
O responsável indicou que os geradores foram colocados sobretudo em postos de transformação, sempre que a rede de baixa tensão a jusante estivesse em condições de distribuir energia aos clientes finais.
“Não pusemos geradores em entidades privadas e não o fizemos porque entendemos que devíamos priorizar a reposição do serviço ao maior número possível de pessoas”, afirmou.
Ferrari Careto acrescentou que foram priorizados “hospitais” e “entidades públicas” e que, no caso das entidades privadas, a empresa entendeu que estas deveriam ter preparação própria para situações desta natureza.
A E-Redes disse ter mobilizado mais de 2.700 operacionais, cerca de 300 vindos de fora, incluindo parceiros internacionais, mais de 1.250 viaturas e mais de 500 geradores e cinco centrais móveis.
O presidente da empresa rejeitou ainda críticas sobre falta deliberada de informação, afirmando que a empresa procurou não criar expectativas que não pudesse cumprir.
“Tivemos uma preocupação muito grande de falar sempre verdade e de partilhar toda a informação que tínhamos com toda a gente”, disse.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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