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AIE alerta para a crescente importância da cooperação internacional na transição energética

O novo relatório da AIE destaca que o sucesso da transição depende cada vez mais do envolvimento ativo dos governos na implementação de soluções e da cooperação. Apesar do avanço das energias renováveis, as emissões de CO2 continuam a aumentar.

09 Jun 2026 - 14:42

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Fatih Birol, AIE | Foto: Foto: MAE

Fatih Birol, AIE | Foto: Foto: MAE

A transição energética global está a enfrentar desafios de implementação e depende cada vez mais da cooperação internacional para acelerar investimentos e infraestruturas, mostra o novo relatório Breakthrough Agenda (Agenda de Ação), da Agência Internacional de Energia (AIE), publicado nesta terça-feira.  

O novo relatório, produzido em colaboração com os Campeões Climáticos de Alto Nível da COP30, conclui que, embora muitos países continuem comprometidos com a cooperação em matéria de energia e clima, “transformar a ambição em resultados” continua a ser um desafio. 

Segundo a AIE, num contexto de crise energética, a procura mundial de eletricidade aumentou cerca de 3% em 2025, ou seja, mais do dobro do ritmo de crescimento da procura total de energia. Em 2025, as energias renováveis e a energia nuclear satisfizeram quase 60% desse aumento.

Além disso, os aumentos anuais de capacidade renovável atingiram um recorde de 800 GW, juntamente com um aumento do investimento em redes, transporte eletrificado e indústria.

Ainda assim, o estudo mostra que as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) relacionadas com a produção de energia aumentaram ligeiramente em 2025, destacando a diferença entre as trajetórias políticas atuais e os objetivos climáticos internacionais. 

De acordo com o relatório, os maiores obstáculos enfrentados pela transição energética já não estão tão ligados à ambição de longo prazo, mas sim à rapidez com que projetos, infraestruturas e mercados conseguem ser desenvolvidos.

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirma em comunicado que “a cooperação internacional é essencial para enfrentar os desafios energéticos globais,” especialmente num contexto de crise energética e de aumento do investimento em tecnologias limpas. “Um progresso mais rápido dependerá da capacidade dos governos trabalharem em conjunto para reduzir riscos, reforçar mercados e expandir as infraestruturas necessárias ao crescimento”, acrescenta.

A cooperação internacional expandiu-se rapidamente nos últimos anos, com governos, empresas e instituições internacionais a lançarem um número crescente de parcerias e iniciativas em todo o sistema energético, de acordo com a AIE. Isto reflete o reconhecimento generalizado de que muitos desafios de implementação, desde infraestruturas e cadeias de abastecimento até financiamento e desenvolvimento de mercados, não podem ser resolvidos apenas através de ações nacionais.

Neste sentido, Dan Ioschpe, Campeão Climático de Alto Nível da COP30, afirma, em comunicado, que “ao alinhar iniciativas, reforçar a coordenação e apoiar a execução em todos os setores, a Agenda de Ação procura garantir que os compromissos se traduzem em progressos tangíveis no terreno.” 

Ao mesmo tempo, o estudo alerta que o crescente número de iniciativas renováveis “está a tornar o panorama internacional cada vez mais complexo”. Em alguns setores, a sobreposição de esforços e abordagens fragmentadas à redução de emissões pode vir mesmo a atrasar a transição, especialmente quando os projetos dependem de investimento coordenado, infraestruturas partilhadas ou normas comuns. 

Segundo o relatório, a colaboração internacional é mais eficaz, uma vez que ajuda a enfrentar desafios comuns que afetam o investimento, as infraestruturas e o desenvolvimento de mercados em diferentes setores. 

A AIE sublinha ainda o papel crucial dos governos nestes esforços. Embora muitas iniciativas globais já beneficiem da participação de empresas, instituições financeiras e organizações internacionais, a eficácia da próxima fase da colaboração internacional “dependerá em grande medida dos governos”, que devem assumir um papel mais ativo na definição, aprovação e implementação dos planos propostos.

Lançada pela primeira vez na COP26 em 2021, a Breakthrough Agenda pretende fornecer um quadro para reforçar a cooperação internacional em setores com elevadas emissões, com o objetivo de tornar as tecnologias limpas e as soluções sustentáveis a opção mais acessível, económica e atrativa até 2030.

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