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AIE alerta que hidrogénio só avança com procura garantida e apoio público

Analistas defendem subsídios direcionados, contratos de compra firmes e criação de mercados liderados por governos para impulsionar hidrogénio de baixas emissões, num setor que já soma cerca de 27 mil milhões de euros em investimentos.

16 Fev 2026 - 07:29

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Foto: Adobe Stock/fotogestoeber

Foto: Adobe Stock/fotogestoeber

A Agência Internacional de Energia (AIE) defende que reduzir custos, garantir procura estável e acelerar a implementação de políticas públicas são medidas essenciais para desbloquear a próxima fase de crescimento do hidrogénio de baixas emissões.

Numa nova análise assinada por três especialistas da AIE, são propostos subsídios direcionados, contratos de compra firmes e criação de mercados liderados por governos para impulsionar o hidrogénio de baixas emissões, incluindo o hidrogénio verde, para uma nova fase de crescimento.

A AIE recorda que a procura global de hidrogénio atingiu cerca de 100 milhões de toneladas em 2024, com um crescimento de quase 2% face ao ano anterior. No entanto, a maioria do hidrogénio produzido atualmente resulta ainda de processos baseados em combustíveis fósseis, sobretudo gás natural e carvão, sem tecnologias de captura de carbono, o que implica elevadas emissões.

Embora tecnologias de baixo carbono tenham atraído forte interesse político e industrial no início da década, o setor enfrenta atrasos, cancelamentos de projetos e revisão em baixa de metas. Ainda assim, os analistas da AIE afirmam que o desenvolvimento continua, mas num ritmo mais lento do que o inicialmente previsto.

A produção de hidrogénio de baixas emissões passou de pouco mais de 0,5 milhões de toneladas em 2020 para cerca de 0,8 milhões em 2024, podendo aproximar-se de 1 milhão em 2025. Projetos já comprometidos apontam para mais de 4 milhões de toneladas até 2030, o que representaria cerca de 4% da produção total global.

O tamanho dos projetos também está a aumentar. O maior eletrolisador do mundo tinha 25 MW em 2020, enquanto um projeto lançado em 2025 na China atingiu 500 MW e o projeto NEOM, na Arábia Saudita, poderá chegar a 2,2 GW em 2027. China, Europa, Índia e América do Norte concentram cerca de 90% da produção prevista até ao final da década, segundo a AIE.

Entre 2021 e 2025, o investimento global em hidrogénio de baixas emissões e produtos derivados atingiu cerca de 29 mil milhões de dólares (aproximadamente 27 mil milhões de euros). Apesar dos desafios, os analistas concluem que o setor não está estagnado, mas numa fase de consolidação em que políticas públicas adaptativas e sinais claros de mercado serão determinantes para acelerar a adoção.

Estabilizar a procura com apoio público

Entre os principais obstáculos identificados está a incerteza na procura. Acordos firmes de compra representam menos de 2 milhões de toneladas anuais, valor considerado insuficiente para garantir segurança aos investidores. “Talvez o problema mais significativo seja a incerteza em relação à procura. Uma procura estável e previsível é um fator-chave para o investimento em projetos de hidrogénio de baixas emissões, uma vez que os produtores precisam de garantias de que conseguirão vender a sua produção”, escrevem os analistas.

Para resolver este problema, a AIE recomenda medidas como integrar requisitos de contratos de compra nos programas de apoio público, promover aquisições governamentais para criar mercados iniciais e focar a adoção nos setores onde o hidrogénio já é utilizado, como refinarias e indústria química.

Outras ações incluem subsídios e apoios financeiros para reduzir o diferencial de custos face ao hidrogénio convencional, desenvolvimento de infraestruturas e criação de “hubs” industriais que concentrem produção e consumo, permitindo partilhar riscos e acelerar a escala.

A AIE sublinha ainda que, para que a maioria das políticas sugeridas seja eficaz, é necessário que os produtores e compradores de hidrogénio consigam diferenciar o hidrogénio de baixas emissões, acompanhando as emissões de gases com efeito de estufa ao longo de toda a cadeia de valor. “Várias regiões já possuem esquemas de certificação, e uma abordagem mais padronizada poderá ser alcançada assim que for publicada a metodologia da Organização Internacional de Normalização (ISO)”, recomendam os analistas.

 

 

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